terça-feira, 4 de dezembro de 2012

A estrada nao tomada (eng)

The road not taken -
a short text that I've wrote after reading this wonderful poem of Robert Frost


   Reading this poem, I can conclude that life is made of nothing but choices;
   You have to choose the way you wanna go and THAT is going to make difference on your life.
   All the time we find bifurcations on our life and we have to deal with it, even without knowing what is the best choice.
   We can't make sure of that, that everything is gonna be alright or we'll never commit any mistake, because we are going to and, maybe, that's the only certainty of life.
   We may know what it's right or wrong, but it's up to us to decide what road we are going to take.

Jenny Green
Tuesday, december 4, 2012

Photos:
http://www.projectrisemusic.com/index.php/percussion-ensemble


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Como um véu



E com lágrimas nos olhos, eu peço à Deus que abençoe minha família.
Peço que cuide para que na haja intrigas ou desentendimentos que causem uma separação desnecessária.
Não quero, meu Deus, que tudo acabe como está; Será que chegou ao fim?
Infelizmente sou sensível, mas logo logo eu desapareço que nem um véu, me dissolvendo no ar enquanto reflete o brilho do sol



Irei me entregar a algo que me leve para longe, afinal já sou invisível.
Não passo de um número: uma matrícula, um contato, uma gota d’água que só causa confusões.
Para mim, acaba aqui: vou andar em direção a algo maior, algo que não cabe nesse mundo e não se adapte à visão do homem.
Quero não chorar, não criar raízes, não sentir, não possuir, excluir coisas supérfulas, que não me acrescentam e que não sugam meu desejo de viver; Quero não seguir regras sociais e condutas educadas: queria me desapegar;
Eu funciono melhor sem um relógio, sem prazos e cobranças. Por favor, não faça isso comigo. Não procure dentro de mim algo que simplesmente não está lá.
Não preciso de um perfil em uma rede social, eu preciso apenas de um abraço que nunca recebi, seguido das palavras “eu te entendo”.
Eu quero que alguém me diga que não é coincidência, que não foi de última hora, que não foi esquecimento, que não foi planejado, mas que simplesmente aconteceu sem motivo aparente.
Não quero nada muito profundo, quero coisas leves, que dê pra tocar, quero uma amiga dizendo que vem me visitar apenas porque sentiu minha falta.

Não quero ser quem sempre toma a iniciativa, não quero ser a que recebe críticas, não quero também ser aquela que nunca vai reagir diante das coisas.
Preciso de liberdade de escolhas, de sair de uma prisão onde eu mesma me coloquei, por uma pressão que eu mesma exerço, quero me livrar das grades que eu coloquei na minha mente e que me impedem de ser mais ousada e sincera.
Quero ser menos sincera. Não quero ser aquela que você procura para pedir conselhos, que escuta o que todos falam, que observa e observa, e depois simplesmente joga esse conhecimento fora.
Quero me livrar desta sensação que se apoderou de mim da cabeça aos pés, mas que, de certa forma, não tem mais volta. A recuperação seria por, quem sabe, tomar uma chuva em pleno domingo? Sair com alguém que não tenha hora pra voltar e que me faça instantaneamente feliz sem que eu saiba exatamente porque eu estou rindo?
Alguém espontâneo, que se afaste da realidade por apenas uns momentos, e me leve naturalmente pra esse lugar aonde eu pertenço desde que nasci?
Só percebi agora que eu estou no lugar errado, com as pessoas erradas. Convivendo com máscaras e corpos esbeltos, mas com pouca coisa a oferecer;
Mas, se eu for a causadora disso tudo, e só estiver imaginando coisas dentro de um mundo paralelo que criei na minha cabeça, por favor , eu só peço que me leve pra este lugar
Sem explicações e desculpas, sem compromissos e horários. Sem choro, sem briga, sem forçar a barra.  Sem querer.














Pois lá eu serei o que tenho que ser, serei o que me falta, me completarei sem a necessidade de consolo ou de segundos perdidos por uma culpa que nem cabe à mim.
Por favor, me leve embora. Já estou caminhando sob espinhos para alcançar o paraíso idealizado.
Me guie segurando a minha mão, me solte, me deixe ir, me dê um pouco de espaço. Afinal, eu sou que nem um véu subordinado à força do vento: eu simplesmente voarei, sem necessidade de impulso: Invisível, leve, transparente.. porque quando eu me for, as brigas que causei não vão valer de nada.
Sem pressa. Sem vírgulas. Sem ponto final. Sem brigas. Sem separação. Sem mágoa. Sem dor. Somente amor, por favor.

Jenny Green
29.10.12

Fotos:

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

rebelde...sem causa?!


BLÁ, BLÁ, BLÁ
Preciso dizer: o que as regras sociais me impedem de te falar.


        Oi, olhe para mim. Eu não tenho novidades, não namoro e também não tenho histórias curiosas sobre rolos recentes que, eu sei, é o que você está interessado e, saber. Sou, cristã e não tenho vergonha de dizer isso. Minha vida continua a mesma, mudando a cada dia, com detalhes que eu sei que você não está nem um pouco interessado em saber.  Eu vou viajar pra fora mas não, não ache que eu sou rica e que eu vou me achar por isso e nem ache que eu vou me transformar em outra pessoa pra te agradar. Simplesmente pra isso? Não.

     Vou continuar sendo eu mesma, na minha, não quero saber o que está acontecendo do outro lado do mundo, nem quem ganhou as eleições pra prefeito,  quais partidos estão no poder nos EUA, ou quantos estão feridos na Síria. Eu quero continuar no meu caminho, mesmo sem saber pra onde estou indo direito, apenas ir e mudar ao meu redor o que for necessário mudar. Minhas necessidades são diferentes das minhas vontades o que também, obviamente, não te importa. Eu só quero receber carinho, mas preciso aprender, vocês estão me estragando, por acaso? Gosto de atenção. Preciso de atenção como uma criança de 5 anos, desculpe informar.

   Respeite meus gostos, se eu não tenho rolos (ou não estou te contando) então eu também não quero saber sobre os seus.  Não venha se gabar de algo que você tem, ou do lugar que você mora, ou do presente que você ganhou,porque eu simplesmente  também não dou a mínima pra isso. Se eu gostar de você, será pelo que você é ou pelo que me proporciona em termos de felicidade. Sou amigável, mas sou reservada, então não force a barra nas situações, eu não vou me enturmar com seus amigos ou com a sua família só porque você não quer me ver sozinha no canto. Sou egoísta, e nos meus dias ruins, não importarão os conselhos ou palavras fofas, eu provavelmente não vou me animar, vou ouvir, ler, mas não irei absorver nada, então não peça pra eu repetir suas palavras no dia seguinte.  

    Vou seguir o caminho que eu quiser, não importa o que o mundo diz, qual é a economia dominante no planeta ou qual é a roupa da moda, eu não ligo pra isso e isso também não muda minhas ações. Tenho manias inúteis e que me fazem perder tempo, mas são minhas e fazem de mim quem eu sou. Não vou sorrir quando estiver triste, não vou colocar uma máscara para disfarçar sentimentos e não vou desviar o olhar se a pessoa me interessa.

     Tenho uma memória estranha que não se relaciona com a consideração, esqueço, sim, coisas importantes, mesmo estando com pessoas que amo. Sou seca, então não quero saber como está o romantismo alheio, eu só escuto por educação, uma convenção social que me impede de falar o que eu realmente penso. 

   Se é pra ignorar, então não disfarce, seja direta, a pior coisa é quando isso acontece de forma omissa, quando simplesmente não querem você ali.  Me incomodo quando não gostam de mim, mas  também não vou mudar para me tornar uma miss simpatia. Sou seletiva, MUITO seletiva. Considero um dom pra eu não me aborrecer com qualquer porcaria. É claro que a moeda tem dois lados, de um você ganha, do outro, perde. É uma pena que você ache isso um contraponto na minha personalidade. Pena mesmo.

      Não tenho talentos desenvolvidos, tampouco uma inteligência comum a qualquer pessoa. Odeio ser comparada ou ser considerada inferior devido a minha falta de atenção nos detalhes que você ou o mundo consideram importantes .Porque se acontecimentos, palavras, conselhos, músicas ,momentos não me interessarem, é porque eles provavelmente não mudariam nada na minha vida ou no meu jeito de ser. O que dizem os estilistas, economistas, políticos e pensadores simplesmente não me despertam curiosidade necessária, não me fazem melhor ou pior pessoa. Não tente colocar informações desnecessárias na minha cabeça só porque você considera relevante, pois o que eu não preciso não me faz falta. Eu vou seguir minha rotina normalmente, porque o que não me muda, também não me importa. 
18.10.12
Jenny Green

Fonte fotos: 







segunda-feira, 17 de setembro de 2012

E a vida é como uma criança...



   Eu escuto, escuto e não ouço nada.
   Os tempos de sábado a noite são os que passam voando a 300 km por hora, invisíveis que nem fumaça... tão instáveis como uma nuvem,  impossível de pegar, escorre pelas mãos...
    A vida passa como uma criança correndo para abraçar a mãe, só que no caminho seu pirulito cai e se quebra em vários pedaços.... E assim vai nosso coração, se quebrando e se curando ao longo da vida, chorando sempre.

Quando a criança compra um salgadinho, alguém rouba dela... e assim vai roubando as pessoas mais importantes; ...Ah, esse terrível e magnífico tempo...Vai tirando tudo de nós, deixando momentos, movimentos e sentimentos para trás..

       Nada é tão pesado que não se possa carregar, podemos passar por tudo sem levar nada do que a vida nos oferece... As oportunidade vão se esvaindo, os caminhos se dissolvendo em ruas sem saída..
Passamos por tudo isso carregando cicatrizes que vão diminuindo, diminuindo...

   Como a criança que corre para receber um abraço e cai, ralando os joelhos...
Mas a mãe a beija e a aconchega em seu colo de amor;
De repente a dor some, e no final..
                      Tudo fica bem.

11-08-12
Jenny green.









Fotos: 

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Boa noite.

E eu vou pedir para Deus te abençoar
E para cuidar de você, coisa que não posso fazer..
Vou pedir pra ele iluminar seus dias e sempre te dar pelo menos um motivo para sorrir.
E se um dia você receber uma carta desconhecida, de um remetente estranho, simplesmente abra-a,
Certamente haverá uma surpresa.

Mas, se muitos anos depois essa carta não chegar a ti...
ou se você a tem, e nunca teve a curiosidade de abri-la é porque ela nunca lhe foi e nem será necessária;

Suas mãos apertam mãos pequenas, vulneráveis,

você nunca saberá que a pessoa que mais te desejou felicidade nunca nem esteve perto de ti,
mas ao mesmo tempo, estava surpreendentemente perto.
Talvez o vento tenha redirecionado para algum lugar desconhecido em sua longa vida.

É, você definitivamente nunca saberá.

Mas eu fico mais aliviada só por te ter como ficção,
me nutrindo da sua presença às escondidas..
Talvez você saiba, um dia, mas por hora te desejo uma boa noite;
e que Deus te abençõe.




Jenny Green.

29.08.12




Fontes:
http://dependenciaecodependencia.blogspot.com.br/2012/07/ultima-carta.html






terça-feira, 3 de julho de 2012

Página virada

Não vou chorar, simplesmente porque não sinto que perdi nada;
Não vou me entupir de chocolate, me afogar no cobertor nem perder a vontade de dormir ou acordar.
Tudo porque eu cresci e percebo melhor as coisas;
Não vou escrever poemas e nem marcar datas; essas palavras eu posso jogar fora depois...
Eu só digo que, agora, eu não sou mais a garota indefesa da oitava série..
Posso ter te machucado, mas o tempo passou: Não quero, e nem espero, mais nada agora;
Sou adulta e posso aprender a lidar com isso - sem remorsos;
... porque fui eu quem começou essa história,
por isso não terei ressentimentos ao colocar um ponto final.

07/06/12
Jenny Green



Foto:
http://maisamorporfavor.blogspot.com.br/2010_08_01_archive.html

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Eu fujo











E SIM , PARA EVITRA AS COSAS ÀS VEZS, EU FUJO.
Fujo para aliviar o que um dia poderá ser dor, não nesse caso, é claro
Fujo para evitar que eu caia na mesma armadilha de antes
Fujo porque sei que amadureci e não preciso passar por isso de novo
E fujo porque isso sempre adiantou
Porque sempre me ajudou a pensar, a refletir, a separar as coisas
Fujo porque as vezes, é a melhor saída
E Fujo porque sou inconstante
“Sou um instante e passo”*
Nunca sei exatamente onde estou, nem o que sou
Uma hora acho que sei de tudo, e outra hora me afundo no nada.















08/06/12
Jenny Green
*Teatro mágico – da entrega
Fonte das fotos:

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Trem de terça

Ela olhou pela janela
A chuva caía com força na noite de terça feira
Toda terça

O trem estava prestes a partir, e ela não sabia o que fazer.
Com dor, ela se lembrou de quando ficara do lado de fora, segurando o guarda chuva na noite,
Esperando ele chegar

Ela quer explodir e quer se conter
Ela quer que os outros decifrem seu silêncio apenas com um olhar
Ela quer o impossível

Quer ser reconhecida, mas também é aquela que quer sair quieta, pelos fundos, sem ninguém ver
Ela é o paradoxo em pessoa,
É bipolar.
É aquela que espera o trem, mesmo sabendo que ele já partiu

E nessas noites que deixam marcas na alma,
ela não quer tomar decisões.
Ela foge dos barulhos assustadores,
foge do seu próprio medo
Ela escuta seus passos batendo no chão molhado, enquanto corre,
nas poças, fugindo como sempre
Ela quer liberdade,
Um passe livre para o mundo,
mas, inconscientemente, ela ama estar presa;
Por isso nunca disse adeus a essa vida que leva
Por isso ela nunca subiu no trem e seguiu em frente:
Por causas dessas contradições, que a impulsionam e a retém





Talvez ela nunca suba
Quem sabe?
Porque enquanto a chuva continuar caindo, ela não sairá do lugar.







05/06/12
Jenny Green


Fonte das fotos:

http://thaistenorio.blogspot.com.br/2011/11/entre-um-tremuma-pena-e-uma-flore.html

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Metade




Não sou nada
Quase nada do que eu faço é certo
Erro quase o tempo todo
Sou criticada, engolida, subestimada
Me colocaram dentro de uma panela de pressão e disseram:
CONTROLE-SE, não vá explodir!




Eu acerto às vezes
mas caio, quebro a cara,
digo que  nunca mais farei aquilo e, no dia seguinte
choro  pela mesma coisa

Eu cresço, amadureço, e continuo uma criança
ainda  abraço meus bichinhos de pelúcia...

O papel é meu maior confidente.
Falo com ele sem medo das consequências
Tenho um refúgio dentro de mim,
para onde corro quando me sinto ameaçada

Sou mais uma pessoa comum
Uma cidadã que anda pelas ruas sem reclamar;
Uma jovem com desejos e planos,
e uma idosa com medo de ver o que está atrás da porta

O Medo do novo

Sou curiosa, tagarela, difícil,
Fico na média
Na média da voz, na média da escola,

Na média da vida

Não a melhor nem a pior
Sou apenas a metade do que posso ser.











01.06.12
Jenny Green

Fonte das fotos:





quinta-feira, 24 de maio de 2012

Incolor


Tudo muda
Tudo continua igual
Você se foi, e nada aqui mudou
Ninguém sabe da sua existência
Ninguém soube

E mesmo assim você foi feliz

Sua marca apenas está
nos corações que você tocou
das pessoas que viveram com você

A última vez que te vi, seus olhos pediam ajuda
pediam um adeus definitivo
Mas eu mal me comovi, não havia nada que eu pudesse fazer

E não posso fazer nada

Sua mão tremia, era como se estivessem se despedindo
E as lágrimas nos seus olhos diziam que você já sabia
que o seu lugar não era aqui

Sei que sua vida foi longa, mas ainda havia pessoas que te amavam
 Ainda há














A areia das construções já apagou suas pegadas
falsamente eternas
E o sol que ferve o asfalto ao meio dia já queimou sua memória,
Supostamente enterrada naquela cama, onde dormiu

E aonde você estava dormindo
E agora dorme, no seu sono
Incolor  e insensível

24/05/12
Jenny Green

Fonte das fotos:



quinta-feira, 17 de maio de 2012

Cartazes

Nao ligo pra politca
nem gosto de economia
Na época de eleiçao o que eu mais faço
é desligar a televisao
e o rádio, para nao ouvir
propaganda daqueles que prometem fazer
governar e melhorar, e blá blá blá

Fecho os olhos para nao ver o céu
poluído com cartazes de papel
com numeros e imagens
que nao fazem sentido
Quando eu olho a minha volta e é só isso que vejo
me pergunto se será só isso
que a vida dá para a gente

Jenny Green

Foto:

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Everything

Se a onda vier e me levar
Se a terra tremer e tudo acabar
Se tudo não for um sonho
Se for mais real do que um pesadelo
Eu quero estar com você, em seus braços
Porque sei que você vai me proteger
de tudo

Quando as nuvens estiverem no chão
E os mares estiverem caindo
Eu sei que você vai estar comigo
E isso é tudo que importa.


Jenny Green

16/03/11

Fotos:

segunda-feira, 23 de abril de 2012

índios


 

"Quem me dera, ao menos uma vez, acreditar por um instante em tudo que existe.

   Acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes..."





Índios- Legião Urbana

Imagem:
 http://daslissblog.blogspot.com.br/2011/05/projeto-felicidade.html

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fé !?


                           Talvez seja apenas a fé, a crença em algo muito maior que tudo isso.


Pode ser a necessidade desesperada dos  humanos de saber que alguém, de espírito elevado, olha por eles.
De segurar uma mão imaginária que você crê que ira te ajudar a levantar quando cair.
A fraqueza que te faz pensar que as pedras no seu caminho são todas um plano que um " Deus" tem para a sua vida, e que elas te levarão a um lugar melhor, sem sofrimento.
Uma vontade insaciável de ser amado incondicionaçmente por alguém(...)


A fé que não se deixa abalar, mesmo sendo resultado da mente  de um ser carente e limitado...

 Talvez a oração seja apenas um placebo diário que você toma para manter-se forte e não desviar de um suposto "propósito" - mesmo que seja só na ilusão - ou para ter a sensação satisfatória de que esse inferno, um dia, vai acabar.




Jenny Green
17-04-12
01:29 min

"...Someone that you could land a hand, in return for grace "
U2 - beautiful day

Fotos:
http://colunadedeus.blogspot.com.br/2012/01/vivendo-pela-fe.html
http://geradopeloespirito.tumblr.com/post/11275249353/ao-inves-de-tentar-explicar-a-sua-fe-tenha-uma
http://maahfranzan.blogspot.com.br/

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A espera

Uma mulher.

Quando criança, esperou o pai voltar do trabalho para mostrar a nota alta que tirara na lição de casa. Esperou até a noite, quando a mãe recebeu um telefonema e começou a chorar; Ela não precisou dizer nada, entendera tudo. Engoliu o choro para mostrar força e passou a viver em sua própria imaginação, onde tudo era flores.
Ela ajudou a mãe a cuidar da casa, aprendeu a fazer tudo,até demais. Sempre foi obediente, mas nunca falou nada.
Cresceu, namorou, saiu de casa. O seu pretendente disse para esperar se casarem para ela poder fazer sua faculdade, e a jovem esperou. Esse dia nunca chegaria- ela sabia disso- mas continuou esperando.  Engravidou, um lindo menino que se parecia muito com ela, o criou com todo carinho do mundo, mas nunca recebeu dele um abraço sequer. O garoto cresceu, adulto, estava na faculdade já, ela finalmente poderia sair de casa e arranjar um emprego.
Como não havia estudado, pretendia fazer algo que não exigisse diploma. Não era tão nova assim, mas tinha uma boa aparência e disposição, não ia demorar nada para ter seu próprio dinheiro e comprar suas coisas.
Até que um dia, limpando a casa do filho , ela caiu da escada e perdeu o movimento de uma das pernas. Não poderia mais andar; estava fadada a ficar em casa para sempre. Ela sabia que não havia chance de voltar a andar, mas ainda assim esperou.
O filho se casou, e seu marido ,já de idade, havia ficado doente e teve que parar de trabalhar; Uma pena, pois ele amava o que fazia. Cozinhou todos os dias para ele, e esperava no final de semana o filho levá-la ao mercado para ter o que fazer no almoço para o "pai" cada vez mais doente.
Em uma manhã de sol, ela acordou em sua velha cama de casal e seu fiel companheiro não estava lá.
 “Fui dar uma volta” – ele havia escrito e deixado o bilhete na porta da geladeira. O crepúsculo chegou, as estrelas chegaram, a lua subiu ao céu,e a madrugada se apressou para dar a luz a um novo dia e ninguém chegou em casa, nem sequer uma notícia; Ela presumiu o que tinha acontecido, seu marido sempre fora teimoso demais para parar em casa.
Ela sabia que não tinha como voltar atrás, mas esperou. Esperou até a memória vir a tona com todas as suas oportunidades perdidas; desperdiçara boa parte da sua vida esperando.
Ela parou de cozinhar, pois nem seu filho com sua neta recém nascida aparecia naquela casa. Seus dias pareciam maiores e sempre iguais .
Ela ouvia o rádio, costurava, assistia seu programas na TV, comia apenas o necessário e olhava para o telefone a cada minuto, esperando ele tocar.
Será que alguém se lembrava dela?
Até que em uma tarde quente de segunda feira, ela não quis sair da cama; Olhou para a janela com um aperto no peito, com a sensação de que algo tanto ruim quanto bom se aproximava. Ela esperou aquilo enquanto olhava para o horizonte na janela, cada vez mais escuro e distante
Ela não esperou mais.
Jenny Green
16-04-12














Fonte de duas das fotos:

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pianíssmo

- Você Sabe que eu não sou como os outros garotos da minha idade. Eu não vou mais pra escola, por isso tenho tempo de estudar o instrumento que eu quiser, quanto tempo eu quiser.
-O instrumento que quiser? – Perguntei, com um sorriso irônico.
-Você entendeu. – Ele sorriu como se estivesse envergonhado. – Qualquer um que eu tenho aqui. O piano, o violino e o violão. – Ele mostrou com os braços todos os instrumentos, como se estivesse me apresentando a eles.
-Eu entendi. – Fui entrando na sala- O que você gosta mais de tocar?
-Eu sei tocar um pouco de todos aqui. – Ele chegou perto do piano começou a alisá-lo- Mas o que mais me dá prazer de tocar é o piano. – Ele se sentou no banquinho que havia em frente ao instrumento- O som dele me fascina, sabe? – Ele se virou pra mim- É uma eterna descoberta. Sempre tem uma nota para acrescentar, um sustenido, um legato para dar mais fluidez à melodia...
-E o que é isso aí ? – Apontei para uns papéis em cima da tampa que cobria o teclado.
-Ah- ele ficou subitamente vermelho- Não é nada, é uma música que eu venho compondo há um tempo, mas não tá legal ainda, preciso dar uma melhorada.
-Ah, qual é, tá com mó cara de boa!
-
Você toca alguma coisa?
-Não.
-Entende de teoria?
-Nem um pouco.
-Então como sabe que está boa?
-Intuição.- Sorri pra ele e me encostei no piano. Ele me olhou, descrente.- Se foi você que fez, com certeza está boa.
-Você tá superestimando meus “talentos”, Bel. Eu não sou tão bom assim.
-Para com isso, toca ela pra eu ver.
-Você tem o dom do convencimento, não é possível. – Eu ri, e ele abriu a tampa, mostrando as teclas perfeitamente limpas do piano - Ok, eu toco, mas só porque é você.
-Ok. – me sentei ao lado dele no banquinho. – Vai atrapalhar, eu sentada aqui?
-Nem um pouco. – Ele olhou pra mim com uma expressão alegre; E após um longo suspiro, começou a tocar.
Os dedos dele voavam pelas teclas, ora com mais delicadeza, ora com mais força, mas com um ritmo impecável. Parecia que em cada tecla que ele batia , havia um pedaço da sua alma. Ele transcendia àquele momento, parecia que estava em outra dimensão.
Por um instante imaginei que se eu saísse, ele nem ia notar.
Sobre a música, nem é preciso comentar; Era perfeita. Nunca ouvi um som tão agradável e emocionante como aquele. Eu simplesmente não sei descrever... A melodia e o acompanhamento se completavam, e me envolviam como se eu estivesse dissolvida nas pentagramas, escondida em cada nota e em cada pausa.
Fechei meus olhos e voei.                           

 Jenny Green
02-04-2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Lua cheia

Me senti uma formiga.

Nesse mundo multicultural, de inúmeras opções para tudo, onde a imagem é mais valorizada que o caráter, eu me sinto um ninguém, um zero à esquerda.
Sinto que sou um vazio sem tamanho, completamente atrasada nessa sociedade imediatista, que pede agilidade e praticidade a cada minuto.
Não sou ágil, sou agitada.

Não sou multiuso.

Sou focada, porém sou lenta, demoro para me adaptar às situações.

Sou emotiva, desastrada, desligada e detalhista.
Não tenho o perfil que a sociedade pede, ou melhor, exige.

Ela quer de nós uma rapidez que não temos, mas temos que fingir ter; Isso me enlouquece.
Sei que essa é uma visão particular de mundo, do mundo do jeito que eu interpreto.

Sinto que o mundo gira rápido demais, mas que eu sou mais ansiosa que ele, o que trava minha mente em níveis intrigantes.
Quero que o tempo passe mais devagar, embora eu seja mais apressada que ele.
Isso me confunde.

Preciso de algo que desacelere minha mente e dê ênfase ao caleidoscópio de detalhes que sinto tentada a relatar. Algo que me tire desse  mundo nem que seja só por um dia. Uma leve brisa de segundos contáveis.
Simplesmente desaparecer.

Lua cheia, me leve contigo.




26.03.2012
Jenny Green.


http://meme.yahoo.com/thaty/p/nhkMzP_/

quarta-feira, 28 de março de 2012

Lembranças fazem bem? Acho que não mais.



Eu sei que ao longo da vida, eu vou me lembrar de você.
Sei, que ao passar pelos lugares que estivemos, vou nos ver andando de mãos dadas; Sei, que ao ouvir certas músicas, vou me lembrar dos diversos acasos e " de-repentes" que conduziram, de certa forma, nossa história.

Uma história tão curta, que pode ser considerada uma crônica, um conto qualquer.
Ou uma fábula, com lições de moral.

Mesmo existindo um ponto final nesses casos e acasos, não posso dizer que irei esquecê-los; Mas posso dizer, com certeza, que não vou deixar que eles interfiram na minha vida.

Não mais.
Nunca mais.


"quando a escuridão cair
de mim você vai lembrar..."

Fresno - Alguém que te faz sorrir

28-03-2012
Jenny Green

sábado, 10 de março de 2012

virando a noite

As cores estão mais nítidas. As flores ofuscam minha visão com seu brilho estonteante.
Andando por aí, sem rumo, em um dia comum da semana, em que as pessoas estão correndo pra lá e pra cá com seus inúmeros compromissos. Decidi parar.
Observar.

O caráter banal e efêmero dos dias vem enchendo minha cabeça de uma tal forma, que meus neurônios entraram em pane.
Comecei a pirar, a achar que todos vinham em minha direção, que o mundo estava errado em todo e qualquer aspecto e que sempre tinha, como diz  Drummond, uma pedra no caminho; uma pedra pronta para machucar meus pés e me fazer tropeçar.
O sol acizentado da manhã, que desperta bilhões de pessoas, e as lembra de seu trabalho, perdeu o seu verdadeiro brilho. Ele se tornou cinza, igual aos prédios e ruas da cidade. Virou uma rotina previsível e sem graça. Pra que olhar, se logo logo, antes que percebamos, a lua chega?

Sentei em um pedaço da calçada, onde ninguém poderia me notar.
Invisível.

 Estou  cansada demais desse mundo; A escassez de beleza está me fazendo perder a cabeça. Não a beleza em termos físicos, mas a beleza que transcende ao ser humano: a bondade, gentileza, solidariedade, paciencia.
Amor.

A sociedade está exigindo demais das pessoas, está nos deixando obcessivos por uns papéis sujos chamado de "dinheiro". Para alguns, felicidade.
A felicidade a venda.

 Ela nos transformou em peças da sua ideologia consumista; nos transformou em seres sem feição e sem sentimentos,sem opinião própria, escravos de um círculo vicioso.
Somos numeros com vida finita.
Temos preço.

Pus a mão na cabeça e me perguntei o que eu estava me tornando. A multiplicidade de pensamentos me deixa sem saída- um milhão de respostas erradas e certas, sem um caminho exato para a liberdade.

Não vejo mais cores aqui.Tudo se tornou igual.
 As pessoas, as risadas, os momentos e as brincadeiras, por melhores que sejam, não tiram de mim aquele sorriso verdadeiro e espontâneo.

Percebi, então, que estou vazia. De novo.

Tudo o que resta de mim,  é uma dependência emocional de acontecimentos passados, que não tem por quê permanecer no presente e, que só nao soltei por medo de um dia precisar das sensações que essas memórias me trazem e, então, estar sem meu estoque de lembranças.
Idiotice sem tamanho.

O que me dá vontade de fazer é comer, comer e comer, para ignorar o resto do mundo ou me trancar em uma sala com alguns livros e um piano, com o mesmo objetivo. Desse jeito, eu poderia pensar melhor, e achar as minhas verdades, meus posicionamentos, opinões e também refletir sobre meus sentimentos, que a cada dia me deixam mais dependente de pessoas erradas e de um passado errante.
O que me prende ?

E, quando menos esperar, chegar a conclusão que o que me atormenta do lado de fora está, na verdade, dentro de mim.
Que o tic tac contínuo que escuto e a visão embaralhada e acizentada que tenho da sociedade é, na verdade, uma bomba relógio instalada na minha cabeça, que está prestes a explodir.

Jenny Green
09-03-2012



PS: Eu sei que não faz sentido.
Mas 'o sentido da arte é exprimir
O que se exprime não interessa.' *




* Fernando Pessoa

domingo, 29 de janeiro de 2012

Apenas palavras


Lendo aquela carta de tanto tempo atrás, ela desejou que tudo voltasse a ser o que um dia foi, mesmo sem ter certeza se realmente valia a pena. Ela não vê mais o brilho que os olhos dele tinham, e nem aquela confiança de um laço eterno.
Ela tentou não chorar, mas seu corpo todo foi dominado por aquela emoção latente, que a punha pra baixo de um jeito bem peculiar; Ela havia perdido alguém que ,antes, ela nem sequer notava, não ligava, mas que com certeza, estaria lá para levantá-la quando caísse e a arrancasse de suas constantes crises existenciais.
Mesmo que o passado tivesse deixado marcas inesquecíveis em ambas as memórias e sentimentos, ela tentou. Tentou recuperar o amor evaporado, o tempo perdido e a certeza inabalável de que ainda tinha alguém com quem contar; Um amigo, um irmão.
Mesmo sabendo que as coisas tinham mudado, que ele já não se sentia bem perto dela, ela resolveu arriscar. Uma chance. Um cruzar de dedos e apertar os olhos pedindo a Deus que tudo dê certo.
Uma carta , quem sabe, acabaria com esse abismo crescente. Ou uma mensagem de texto, celular. Não, melhor não.
Encontros são mais seguros e reais, mesmo trazendo consigo doses de incerteza e esperança.
Ela o viu. Sentiu aquele frio, aquela velha apreensão que nunca a havia abandonado desde que passara a conversar com ele.
O olhar dele estava perdido, e as mãos, moles e frias. Ao darem o costumeiro abraço de cumprimento, ela novamente chorou; Mas que droga ! É, ela o havia perdido. Não o seu físico, mas sua alma. O que, antes, ela havia deixado de canto, só pegava quando queria, fazia falta. Havia deixado um espaço grande demais para ser preenchido...( Aquela roupa velha, usada, que ela tinha vergonha de vestir, e as vezes até esquecia, havia sido roubada por outras pessoas - que davam a ela seu verdaeiro valor. Embora, o mais provável é que essa roupa simplesmente tenha sumido por conta própria, deixando rastros dolorosos, mas não pistas.)
Naquele abraço, faltava espaço, espaço para coisas não ditas e outras que simplesmente foram ignoradas. Tinham tudo, e não tinham nada. Nada.
O Companherismo, a amizade, a confiança e o respeito haviam sido levados pelo tempo.
O baque ali era físico, e ela sentiu isso mjais do que qualquer outra coisa. Suas almas haviam se tornado foscas e fúteis.
Ela se perguntou mil vezes, enquanto andavam, se devia contar o que sentia e o que pensava sobre essa bateria descarregada que a relação dos dois havia se tornado.
Uma onda fraca e gelada.


De novo : " Será que vale a pena arriscar o presente pelo passado ?" Ela pensou. " Será que isso vai trazer tudo o que tínhamos de volta?" . Talvez ele simplesmente interprete tudo errado; Afinal, toda palavra tem um significado oculto aos ouvidos, que só a mente inquieta faz questão de revelar.

Que tal uma carta ? A opção que ela havia descartado antes, agora parecia uma boa opção.
Quem sabe, o melhor caminho seja derramar algumas frases vem elaboradas em um pedaço de papel e entregar a ele; Sem um motivo especial, nem um sentido realmente bom. Apenas palavras. Secas, diretas, e expressivas. Sem dar a ele a chance de imaginar possíveis "meanings" para cada substantivo.

Não sei bem o que ela estava pensando, ou o que sentiu quando decidiu escrever aquela carta tão...Tão sei lá. Não, ela definitivamente não buscava elogios pela sua forma de construir um texto ou por qualquer outra coisa que fosse merecedora de elogios. Talvez ela só estivesse inspirada, com vontade de escrever , e de botar pra fora o que, há tempos, vinha guardando.

Sabia que nada iria fazer aquele moinho girar mais rápido. Não ia mudar nada, ela sabia, pois o passado não iria se moldar ao " agora".
Mas, de algum jeito, apesar de tudo, ela achou que valia a pena.
E não custava nada tentar.

27-01-2012
Jenny Green



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

When you're gone

Um dia, a dor se transforma em saudade.
E depois de muitos dias, a saudade se transforma em alegria de poder ter compartilhado momentos da vida com alguém como você.


Jenny Green.
24-01-2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

My Immortal

Eu não acreditava que estava ali.
A multidão gritava cada vez mais e , por mais que estivesse acostumada com aquela sensação, o nervosismo ainda me fez tremer. Na hora que meus dedos da mão direita tocaram as teclas do piano, os gritos ficaram ainda mais estridentes; pensei que ia falhar, errar, esquecer...Mas era só mais uma música. Finalmente a mão esquerda entrou em ação e junto com ela, minha voz.
Meu nervosismo era tanto, que fiquei com medo de esquecer a letra daquela musica que eu vinha cantando há tantos anos...E que não foi cortada, ainda, do setlist por ser uma das mais  lindas e aclamadas músicas da banda.
Respirei fundo, fechei os olhos e tentei me concentrar apenas na melodia, enquanto cantava. Cada nota tinha o som de uma lágrima caindo, gosto de sangue e o ritmo das batidas de um coração. Como quase sempre acontece nos shows, me lembrei de quando havia escrito a música: a letra, a melodia, e a sua história. Por que havia escrito? Não é algo que eu goste de contar para alguém durante a semana e nem algo que se possa conversar em um jantar com um amigo.
Sempre a achei pessoal demais, mas é assim que tem que ser as canções, não ? Os produtores torceram os lábios quando viram (e ouviram), mas decidiram, por fim, arriscar.
E foi que foi, a música é um sucesso.
Lá pro final, o som ficou mais pesado : Sou arrancada dos meus pensamentos quando a banda entra como acompanhamento. Os batuques da bateria me arrepiavam e o solo da guitarra mexia de alguma forma com a minha cabeça, me deixando em um leve êxtase;  Tenho vontade de chorar e gritar ao mesmo tempo e, automaticamente, passo essa emoção incômoda para a música, o que deixou o público ainda mais eufórico.
O palco foi tomado por uma atmosfera sombria e agitada quando as últimas notas foram tocadas, e eu deixei que eles cantassem sozinhos as últimas palavras.
Eles literalmente vibraram.

Me levantei, emocionada, para agradecer. Me curvei diante deles ; Todos, meus ídolos incansáveis. Quando dei por mim, estava chorando. Achei ao mesmo tempo lindo e estranho, nunca havia chorado assim, ao vivo.
O choro não cessava: decidi enxugar as lágrimas com o dorso da mão, e foi então que eu vi... Era sangue.

12-01-2012
Jenny Green