Uma mulher.
Quando criança, esperou o pai voltar do trabalho para
mostrar a nota alta que tirara na lição de casa. Esperou até a noite, quando a
mãe recebeu um telefonema e começou a chorar; Ela não precisou dizer nada, entendera tudo. Engoliu o choro para mostrar força e passou a viver em sua própria imaginação, onde tudo era flores.
Ela ajudou a mãe a cuidar da casa, aprendeu a fazer tudo,até demais. Sempre foi obediente, mas nunca falou nada.
Cresceu, namorou, saiu de casa. O seu pretendente disse para
esperar se casarem para ela poder fazer sua faculdade, e a jovem esperou. Esse dia nunca
chegaria- ela sabia disso- mas continuou esperando. Engravidou, um lindo menino que se parecia
muito com ela, o criou com todo carinho do mundo, mas nunca recebeu dele
um abraço sequer. O garoto cresceu, adulto, estava na faculdade já, ela finalmente
poderia sair de casa e arranjar um emprego.
Como não havia estudado, pretendia fazer algo que não
exigisse diploma. Não era tão nova assim, mas tinha uma boa aparência e
disposição, não ia demorar nada para ter seu próprio dinheiro e comprar suas
coisas.
Até que um dia, limpando a casa do filho , ela caiu da
escada e perdeu o movimento de uma das pernas. Não poderia mais andar; estava
fadada a ficar em casa para sempre. Ela sabia que não havia chance de voltar a
andar, mas ainda assim esperou.
O filho se casou, e seu marido ,já de idade, havia ficado
doente e teve que parar de trabalhar; Uma pena, pois ele amava o que fazia.
Cozinhou todos os dias para ele, e esperava no final de semana o filho levá-la
ao mercado para ter o que fazer no almoço para o "pai" cada vez mais doente.
Em uma manhã de sol, ela acordou em sua velha cama de casal e
seu fiel companheiro não estava lá.
“Fui dar uma volta” –
ele havia escrito e deixado o bilhete na porta da geladeira. O crepúsculo
chegou, as estrelas chegaram, a lua subiu ao céu,e a madrugada se apressou para
dar a luz a um novo dia e ninguém chegou em casa, nem sequer uma notícia; Ela presumiu o que tinha
acontecido, seu marido sempre fora teimoso demais para parar em casa.
Ela sabia que não tinha como voltar atrás, mas esperou.
Esperou até a memória vir a tona com todas as suas oportunidades perdidas; desperdiçara
boa parte da sua vida esperando.
Ela parou de cozinhar, pois nem seu filho com sua neta recém
nascida aparecia naquela casa. Seus dias pareciam maiores e sempre iguais .
Ela
ouvia o rádio, costurava, assistia seu programas na TV, comia apenas o necessário
e olhava para o telefone a cada minuto, esperando ele tocar.
Será que alguém se lembrava dela?
Até que em uma tarde quente de segunda feira, ela não quis
sair da cama; Olhou para a janela com um aperto no peito, com a sensação de que
algo tanto ruim quanto bom se aproximava. Ela esperou aquilo enquanto olhava
para o horizonte na janela, cada vez mais escuro e distante
Ela não esperou mais.
Jenny Green
16-04-12
Fonte de duas das fotos:
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