segunda-feira, 25 de março de 2013

Fogueira

Eu olho para a fogueira e para as faíscas que ela solta, e presto atenção no contraste do seu laranja contra o escuro da noite...O barulho do seu crepitar quase passando despercebido..
Perdida no furacão da minha mente, tento me prender a um pensamento só, decifrá-lo, fazê-lo ganhar sentido. Mas, aparentemente, isso é impossível. O resto do mundo se tornou um borrão: uma hora é ótimo viver, no segundo seguinte me sinto afogada num rio sem esperança, com uma força me puxando cada vez mais pra baixo.
O que acontece? Nenhum pensamento explica isso, a vontade de estar cercada de pessoas (na verdade, de uma só) e, ao mesmo tempo, ser tão introspectiva a ponto de me isolar de um bom momento para ficar sozinha com esses meus pensamentos..


Com todos os pensamentos girando em torno de um só, me pergunto por que é que eu tenho a mania de tornar tudo maior, melhor ou mais perigoso. O que pode ser bom se transforma em drama existencial, o êxtase que durou 10 segundos ficou gravado para sempre no inconsciente, e eu simplesmente fico lembrando disso, comparando com os acontecimentos banais do cotidiano..

 Mas por que raios eu tenho que me comparar com outras pessoas, nós não somos diferentes? Não, isso não faz sentido. Estar indecisa a maior parte do dia com decisões que pessoas racionais não perderiam seu tempo  pensando..

Viajo demais sobre um assunto só, como se estivesse explorando os vários roteiros de uma viagem, analisando o que pode dar certo e o que pode dar errado. Até demais.
Eu me sinto como a música que ninguém sabe como tocar; é difícil demais pensar com os dedos, interpretar cada nota, dinamizar cada sinal, cada movimento...Impossível de ser executada com perfeição, vou me martirizando mentalmente, fazendo com que eu me sinta cada vez pior, inconscientemente, mas sem aparentar nada, pois, por fora, sou simplista demais.
Aparentemente, uma partitura para iniciantes, mas muitos se enganam e se vão embora ao perceber as nuances e as mudanças inesperadas de compasso...



Ao ritmo do crepitar da fogueira, penso,compondo minha própria vida com notas difíceis de serem lidas, combinadas...Sou dissonante, feia aos ouvidos, cheia de altos e baixos. No entanto, são poucos que notam essas mudanças e peculiaridades.

Muitos se afastam por medo, mas é porque não conseguem ouvir as notas nas entrelinhas, a doce melodia que fica subentendida..São pessoas que não enxergam que são justamente nas minhas falhas- sim, dissonâncias- que é encontrada a perfeição.


04/03/13
Jenny Green

Fotos






segunda-feira, 11 de março de 2013

Retratos de uma cidade grande


 
 
A noite virou dia, as horas correram e eu não tive tempo de pensar...enquanto isso, minha mão direita não quis mais escrever e, quando eu percebi seu sorriso, já era tarde demais.
Somos formigas que o tempo deixou sobreviver, incapazes de nos virar sozinhos..

E a pressão do dia a dia nos mata pouco a pouco... A poluição que respiro ainda mais vazia, uma vida se sentido, sem um começo definido, só um fim.
A cidade modifica meus olhos e meu tato, e a ansiedade, o olhar..
Ando com pressa, embora meu desejo seja esperar..

Quero alcançar meus sonhos, mas as vezes tenho a impressão que tudo vai contra o que você quer. Procuramos um lazer olhando pras nuvens mas olhe, meu bem, o tempo está correndo... Nossa rotina está matando nossas expectativas; As pessoas estão mudando, vestindo uma capa de proteção cada vez mais rápido e com mais frequância...


Mais saiba que, mesmo rodeada por um mundo caótico, eu não quero te machucar. Quero apenas ser eu mesma, tem como?
Na primeira oportunidade que eu tiver, eu juro que paro tudo que me colocaram como ideal e começo realmente a viver...anos depois que nasci.
Amor, você acha isso justo? Eu desço do mundo, não quero mais saber de tanta dor.

É como um veneno incolor, só percebemos os efeitos depois..
Mas eu já estou sentindo agora, estou exposta demais, o vidro da minha janela se quebrou...Essa realidade morta invade minha'lma com a força de um raio de sol...e eu tento, juro que tentei impedir.
E quando percebi, minha vulnerabilidade já havia sido traída pelas minhas escolhas...
Não tem mais como voltar.
O certo é continuar nessa caminhada, tropeçando em pedras e levando-as nas costas...deixo cair uma de vez em quando, mas por incrível que pareça, dói deixá-la ir.



Essa cidade que carrego comigo, que vive forçadamente em mim...essa vida que vou  deixar pra trás.. está escorregando lentamente...
E o seu sorriso, aquele que me fez viver mais um pouco,
desculpe, não percebi..

Ele já se apagou.



Jenny Green
06/03/13


Fontes: