terça-feira, 17 de novembro de 2015

Heatchcliff

Heatcliff - vida em proesia

Estou acostumado a viver às sombras
De uma família perturbada
Em uma casa solitária no topo do morro verde

 Estou acostumado a trabalhar sem nada merecer
A apagar qualquer sorriso dos meus lábios com cera de vela
A herdar sem pertencer

 Da ceia me resta a sobra
Da cama, a beirada
Do calor, a lareira fria
E do amor, o abraço dos ventos congelantes

 Abandonaria minha alma (e consciência) para que o amor inconveniente pudesse ser correspondido, 
E consumado, como a palha quando lambida pelo fogo
Porque nossas almas foram feitas com o mesmo material
E você sabia, e sentia tudo como eu
Mas fugia de si mesma e queria desesperadamente se enganar....Por baixo dos seus lençóis chiques e de seu orgulho irremediável
 Se desviando de um destino que o nosso passado preparou, e acerca do qual uma história será um dia escrita

 Queria ter a possibilidade de tentar uma vingança que, alimentada pelo ódio ao longo dos anos, não fui capaz de realizar
Porque ainda existe ternura na minha pele ferida e nos meus olhos escuros
Tentando se agarrar a única certeza que sempre tive,
E que se dissolveu em um enredo sem saída,

 Antes que chegue a primavera, sinto tua presença, 
Mesmo depois de tanto tempo, ainda te vejo por aqui, sorrindo e lembrando de quando éramos crianças
O fantasma de um sentimento escondido que só fez aumentar enquanto quis esquecer, e que perturba meus dias de tenra paz

 Na madrugada, eu abro a janela do quarto que era seu, 
O galho que bate sem parar na janela denuncia tua presença póstuma
Morro um pouco mais a cada dia nesta casa esquecida pelo tempo
E escuto o vento sussurrar teu nome por entre as árvores, 
Enquanto minha alma enlouquecida por ti grita,
Catherine, Catherine, Catherine...


Heatcliff - vida em proesia

Jenny Green
03/01/15

Imagens: 
http://passadovivo.tumblr.com
http://ofantasticomundodaarte.blogspot.com

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Exagerado




exagerado




Disfarça sua carência com um sorriso , e seu vazio com um grito de prazer 

Sua voz rouca não me convence de que eu sou tudo que você diz 

Sua língua me tece elogios que simplesmente não se encaixam, 
não se encontra com meu jeito largado

Você pensa que estou num pedestal, mas a verdade é que você se jogou aos meus pés sem pensar; 
Se apaixonou por um eu que só existe entre quatro paredes.. 

Esse hotel guarda nosso segredo, mas você não se contenta com as poucas horas que temos, 
quer espalhar e descrever sua breve aventura, assim como em um livro de romance, aquele que você
estava escrevendo, sabe?

Mas eu me recusei a fazer parte, porque o amanhã são mais do que lençóis brancos, garrafas vazias 
e uma caminhada pela cidade.

Um dia talvez você se dê conta do eu que você criou apenas para se satisfazer,
apenas para dar à sua vida um breve sentido, ou um pequeno motivo para sorrir; 

E aí vai ser  tarde demais,
para te resgatar do teu próprio precipício, de onde você cai livremente 
por não saber esperar,  por não querer sofrer,  
por ter medo...
de nunca mais amar.

Jenny Green

22.06.2015

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Enganos

Jenny Green - enganos


O tempo tá aí pra mostrar que tudo passa

Que os vazios que o coração finge são passageiros

Que a noite uma hora acaba, e o dia raia

Sem que o ceu azul saiba a luta que é só para você abrir os olhos

Para mostrar que nada é impossível de superar

Que o sofrimento é tão banal quanto a felicidade

E que a cicatriz de toda dor – a que ainda fica

É a saudade.


Jenny Green

25.08.15


Fonte da imagem:
http://httpeusousensivelporratumblrcom.blogspot.com.br/2012/02/ir-embora-e-deixar-pra-tras-o-que-era.html