segunda-feira, 23 de abril de 2012

índios


 

"Quem me dera, ao menos uma vez, acreditar por um instante em tudo que existe.

   Acreditar que o mundo é perfeito e que todas as pessoas são felizes..."





Índios- Legião Urbana

Imagem:
 http://daslissblog.blogspot.com.br/2011/05/projeto-felicidade.html

terça-feira, 17 de abril de 2012

Fé !?


                           Talvez seja apenas a fé, a crença em algo muito maior que tudo isso.


Pode ser a necessidade desesperada dos  humanos de saber que alguém, de espírito elevado, olha por eles.
De segurar uma mão imaginária que você crê que ira te ajudar a levantar quando cair.
A fraqueza que te faz pensar que as pedras no seu caminho são todas um plano que um " Deus" tem para a sua vida, e que elas te levarão a um lugar melhor, sem sofrimento.
Uma vontade insaciável de ser amado incondicionaçmente por alguém(...)


A fé que não se deixa abalar, mesmo sendo resultado da mente  de um ser carente e limitado...

 Talvez a oração seja apenas um placebo diário que você toma para manter-se forte e não desviar de um suposto "propósito" - mesmo que seja só na ilusão - ou para ter a sensação satisfatória de que esse inferno, um dia, vai acabar.




Jenny Green
17-04-12
01:29 min

"...Someone that you could land a hand, in return for grace "
U2 - beautiful day

Fotos:
http://colunadedeus.blogspot.com.br/2012/01/vivendo-pela-fe.html
http://geradopeloespirito.tumblr.com/post/11275249353/ao-inves-de-tentar-explicar-a-sua-fe-tenha-uma
http://maahfranzan.blogspot.com.br/

segunda-feira, 16 de abril de 2012

A espera

Uma mulher.

Quando criança, esperou o pai voltar do trabalho para mostrar a nota alta que tirara na lição de casa. Esperou até a noite, quando a mãe recebeu um telefonema e começou a chorar; Ela não precisou dizer nada, entendera tudo. Engoliu o choro para mostrar força e passou a viver em sua própria imaginação, onde tudo era flores.
Ela ajudou a mãe a cuidar da casa, aprendeu a fazer tudo,até demais. Sempre foi obediente, mas nunca falou nada.
Cresceu, namorou, saiu de casa. O seu pretendente disse para esperar se casarem para ela poder fazer sua faculdade, e a jovem esperou. Esse dia nunca chegaria- ela sabia disso- mas continuou esperando.  Engravidou, um lindo menino que se parecia muito com ela, o criou com todo carinho do mundo, mas nunca recebeu dele um abraço sequer. O garoto cresceu, adulto, estava na faculdade já, ela finalmente poderia sair de casa e arranjar um emprego.
Como não havia estudado, pretendia fazer algo que não exigisse diploma. Não era tão nova assim, mas tinha uma boa aparência e disposição, não ia demorar nada para ter seu próprio dinheiro e comprar suas coisas.
Até que um dia, limpando a casa do filho , ela caiu da escada e perdeu o movimento de uma das pernas. Não poderia mais andar; estava fadada a ficar em casa para sempre. Ela sabia que não havia chance de voltar a andar, mas ainda assim esperou.
O filho se casou, e seu marido ,já de idade, havia ficado doente e teve que parar de trabalhar; Uma pena, pois ele amava o que fazia. Cozinhou todos os dias para ele, e esperava no final de semana o filho levá-la ao mercado para ter o que fazer no almoço para o "pai" cada vez mais doente.
Em uma manhã de sol, ela acordou em sua velha cama de casal e seu fiel companheiro não estava lá.
 “Fui dar uma volta” – ele havia escrito e deixado o bilhete na porta da geladeira. O crepúsculo chegou, as estrelas chegaram, a lua subiu ao céu,e a madrugada se apressou para dar a luz a um novo dia e ninguém chegou em casa, nem sequer uma notícia; Ela presumiu o que tinha acontecido, seu marido sempre fora teimoso demais para parar em casa.
Ela sabia que não tinha como voltar atrás, mas esperou. Esperou até a memória vir a tona com todas as suas oportunidades perdidas; desperdiçara boa parte da sua vida esperando.
Ela parou de cozinhar, pois nem seu filho com sua neta recém nascida aparecia naquela casa. Seus dias pareciam maiores e sempre iguais .
Ela ouvia o rádio, costurava, assistia seu programas na TV, comia apenas o necessário e olhava para o telefone a cada minuto, esperando ele tocar.
Será que alguém se lembrava dela?
Até que em uma tarde quente de segunda feira, ela não quis sair da cama; Olhou para a janela com um aperto no peito, com a sensação de que algo tanto ruim quanto bom se aproximava. Ela esperou aquilo enquanto olhava para o horizonte na janela, cada vez mais escuro e distante
Ela não esperou mais.
Jenny Green
16-04-12














Fonte de duas das fotos:

terça-feira, 3 de abril de 2012

Pianíssmo

- Você Sabe que eu não sou como os outros garotos da minha idade. Eu não vou mais pra escola, por isso tenho tempo de estudar o instrumento que eu quiser, quanto tempo eu quiser.
-O instrumento que quiser? – Perguntei, com um sorriso irônico.
-Você entendeu. – Ele sorriu como se estivesse envergonhado. – Qualquer um que eu tenho aqui. O piano, o violino e o violão. – Ele mostrou com os braços todos os instrumentos, como se estivesse me apresentando a eles.
-Eu entendi. – Fui entrando na sala- O que você gosta mais de tocar?
-Eu sei tocar um pouco de todos aqui. – Ele chegou perto do piano começou a alisá-lo- Mas o que mais me dá prazer de tocar é o piano. – Ele se sentou no banquinho que havia em frente ao instrumento- O som dele me fascina, sabe? – Ele se virou pra mim- É uma eterna descoberta. Sempre tem uma nota para acrescentar, um sustenido, um legato para dar mais fluidez à melodia...
-E o que é isso aí ? – Apontei para uns papéis em cima da tampa que cobria o teclado.
-Ah- ele ficou subitamente vermelho- Não é nada, é uma música que eu venho compondo há um tempo, mas não tá legal ainda, preciso dar uma melhorada.
-Ah, qual é, tá com mó cara de boa!
-
Você toca alguma coisa?
-Não.
-Entende de teoria?
-Nem um pouco.
-Então como sabe que está boa?
-Intuição.- Sorri pra ele e me encostei no piano. Ele me olhou, descrente.- Se foi você que fez, com certeza está boa.
-Você tá superestimando meus “talentos”, Bel. Eu não sou tão bom assim.
-Para com isso, toca ela pra eu ver.
-Você tem o dom do convencimento, não é possível. – Eu ri, e ele abriu a tampa, mostrando as teclas perfeitamente limpas do piano - Ok, eu toco, mas só porque é você.
-Ok. – me sentei ao lado dele no banquinho. – Vai atrapalhar, eu sentada aqui?
-Nem um pouco. – Ele olhou pra mim com uma expressão alegre; E após um longo suspiro, começou a tocar.
Os dedos dele voavam pelas teclas, ora com mais delicadeza, ora com mais força, mas com um ritmo impecável. Parecia que em cada tecla que ele batia , havia um pedaço da sua alma. Ele transcendia àquele momento, parecia que estava em outra dimensão.
Por um instante imaginei que se eu saísse, ele nem ia notar.
Sobre a música, nem é preciso comentar; Era perfeita. Nunca ouvi um som tão agradável e emocionante como aquele. Eu simplesmente não sei descrever... A melodia e o acompanhamento se completavam, e me envolviam como se eu estivesse dissolvida nas pentagramas, escondida em cada nota e em cada pausa.
Fechei meus olhos e voei.                           

 Jenny Green
02-04-2012

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Lua cheia

Me senti uma formiga.

Nesse mundo multicultural, de inúmeras opções para tudo, onde a imagem é mais valorizada que o caráter, eu me sinto um ninguém, um zero à esquerda.
Sinto que sou um vazio sem tamanho, completamente atrasada nessa sociedade imediatista, que pede agilidade e praticidade a cada minuto.
Não sou ágil, sou agitada.

Não sou multiuso.

Sou focada, porém sou lenta, demoro para me adaptar às situações.

Sou emotiva, desastrada, desligada e detalhista.
Não tenho o perfil que a sociedade pede, ou melhor, exige.

Ela quer de nós uma rapidez que não temos, mas temos que fingir ter; Isso me enlouquece.
Sei que essa é uma visão particular de mundo, do mundo do jeito que eu interpreto.

Sinto que o mundo gira rápido demais, mas que eu sou mais ansiosa que ele, o que trava minha mente em níveis intrigantes.
Quero que o tempo passe mais devagar, embora eu seja mais apressada que ele.
Isso me confunde.

Preciso de algo que desacelere minha mente e dê ênfase ao caleidoscópio de detalhes que sinto tentada a relatar. Algo que me tire desse  mundo nem que seja só por um dia. Uma leve brisa de segundos contáveis.
Simplesmente desaparecer.

Lua cheia, me leve contigo.




26.03.2012
Jenny Green.


http://meme.yahoo.com/thaty/p/nhkMzP_/