quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

My Immortal

Eu não acreditava que estava ali.
A multidão gritava cada vez mais e , por mais que estivesse acostumada com aquela sensação, o nervosismo ainda me fez tremer. Na hora que meus dedos da mão direita tocaram as teclas do piano, os gritos ficaram ainda mais estridentes; pensei que ia falhar, errar, esquecer...Mas era só mais uma música. Finalmente a mão esquerda entrou em ação e junto com ela, minha voz.
Meu nervosismo era tanto, que fiquei com medo de esquecer a letra daquela musica que eu vinha cantando há tantos anos...E que não foi cortada, ainda, do setlist por ser uma das mais  lindas e aclamadas músicas da banda.
Respirei fundo, fechei os olhos e tentei me concentrar apenas na melodia, enquanto cantava. Cada nota tinha o som de uma lágrima caindo, gosto de sangue e o ritmo das batidas de um coração. Como quase sempre acontece nos shows, me lembrei de quando havia escrito a música: a letra, a melodia, e a sua história. Por que havia escrito? Não é algo que eu goste de contar para alguém durante a semana e nem algo que se possa conversar em um jantar com um amigo.
Sempre a achei pessoal demais, mas é assim que tem que ser as canções, não ? Os produtores torceram os lábios quando viram (e ouviram), mas decidiram, por fim, arriscar.
E foi que foi, a música é um sucesso.
Lá pro final, o som ficou mais pesado : Sou arrancada dos meus pensamentos quando a banda entra como acompanhamento. Os batuques da bateria me arrepiavam e o solo da guitarra mexia de alguma forma com a minha cabeça, me deixando em um leve êxtase;  Tenho vontade de chorar e gritar ao mesmo tempo e, automaticamente, passo essa emoção incômoda para a música, o que deixou o público ainda mais eufórico.
O palco foi tomado por uma atmosfera sombria e agitada quando as últimas notas foram tocadas, e eu deixei que eles cantassem sozinhos as últimas palavras.
Eles literalmente vibraram.

Me levantei, emocionada, para agradecer. Me curvei diante deles ; Todos, meus ídolos incansáveis. Quando dei por mim, estava chorando. Achei ao mesmo tempo lindo e estranho, nunca havia chorado assim, ao vivo.
O choro não cessava: decidi enxugar as lágrimas com o dorso da mão, e foi então que eu vi... Era sangue.

12-01-2012
Jenny Green

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