
Eu queria ter cinco minutos... Cinco minutos para respirar e poder apreciar coisas simples do dia, como me espreguiçar e sorrir ao ver a luz do sol. Talvez, lá na frente, eu perceba que foi tarde, que eu desperdicei tempo, que eu não tinha (mesmo) que me sentir desse jeito e que ontem era cedo demais pra pensar no amanhã.
O futuro, que nos aguarda, quem sabe? Quem sabe por que nos preocupamos tanto com coisas pequenas? Os dias nos esperam recheados de surpresas e o que nos mata é não saber o que vai acontecer, aquela sensação de controle que se esvai.
Você não acha que a vida é curta (e por si só) difícil demais para exigirmos tanto de nós mesmos? A perfeição não existe. E, se existisse, qual seria a chance de ela nos alcançar, sendo que o que vai acontecer nos instantes depois do agora é impossível de prever?
Eu posso não ter nada, nem dinheiro, nem carro, nem sorte, nem um amor. Nada físico que me segure quando eu tropeçar em uma simples pedra.
Sou um sorriso triste, uma garota insatisfeita e um par de olhos perdidos.
Eu queria ter cinco minutos pra falar de mim, encher este texto de “eu’s” mas, na verdade, não existe em mim uma personalidade fixa, um personagem com o qual eu me identifique por completo. É difícil admitir para mim mesma que eu não sou boa em tudo, é difícil aceitar que vão existir pessoas melhores, com mais sorte, dinheiro e bem menos complicadas... A questão é que eu não sei explicar porque tem dias que eu sinto que nada deveria existir, apenas eu e o banco de uma praça qualquer. E o silêncio nessas horas seria meu melhor amigo.
Em um ponto de ônibus, basta um olhar, e eu tenho uma cabeça cheia de ideias, sou capaz de formular uma história em segundos; um texto pronto com a caneta no papel, um emaranhado de palavras muitas vezes sem conclusão.
Uma alma que valha mais que um sentimento e um corpo que seja além do que uma máquina em funcionamento. Preciso de alguém que me carregue no fim do dia e me leve para a praia. Alguém, por favor, desliga meu celular, meu whatsapp, minha wi-fi, minha conexão com o mundo e me joga água fria e salgada no rosto no fim de tarde de um dia difícil. E, mergulhada no mar, então, seria só eu e o mundo; eu e um coração leve, um sorriso menos triste e uma cabeça com muito mais ideias- apenas ideias. Textos prontos que vem a mente em cinco minutos , como esse, e que, na verdade, só tinha a intenção de relatar uma coisa: a paz que eu senti quando acordei hoje, me espreguicei e vi que o sol , apesar de todas as dificuldades, ainda iluminava meu mundo.
10-04-2014
Jenny Green