quinta-feira, 28 de junho de 2012

Eu fujo











E SIM , PARA EVITRA AS COSAS ÀS VEZS, EU FUJO.
Fujo para aliviar o que um dia poderá ser dor, não nesse caso, é claro
Fujo para evitar que eu caia na mesma armadilha de antes
Fujo porque sei que amadureci e não preciso passar por isso de novo
E fujo porque isso sempre adiantou
Porque sempre me ajudou a pensar, a refletir, a separar as coisas
Fujo porque as vezes, é a melhor saída
E Fujo porque sou inconstante
“Sou um instante e passo”*
Nunca sei exatamente onde estou, nem o que sou
Uma hora acho que sei de tudo, e outra hora me afundo no nada.















08/06/12
Jenny Green
*Teatro mágico – da entrega
Fonte das fotos:

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Trem de terça

Ela olhou pela janela
A chuva caía com força na noite de terça feira
Toda terça

O trem estava prestes a partir, e ela não sabia o que fazer.
Com dor, ela se lembrou de quando ficara do lado de fora, segurando o guarda chuva na noite,
Esperando ele chegar

Ela quer explodir e quer se conter
Ela quer que os outros decifrem seu silêncio apenas com um olhar
Ela quer o impossível

Quer ser reconhecida, mas também é aquela que quer sair quieta, pelos fundos, sem ninguém ver
Ela é o paradoxo em pessoa,
É bipolar.
É aquela que espera o trem, mesmo sabendo que ele já partiu

E nessas noites que deixam marcas na alma,
ela não quer tomar decisões.
Ela foge dos barulhos assustadores,
foge do seu próprio medo
Ela escuta seus passos batendo no chão molhado, enquanto corre,
nas poças, fugindo como sempre
Ela quer liberdade,
Um passe livre para o mundo,
mas, inconscientemente, ela ama estar presa;
Por isso nunca disse adeus a essa vida que leva
Por isso ela nunca subiu no trem e seguiu em frente:
Por causas dessas contradições, que a impulsionam e a retém





Talvez ela nunca suba
Quem sabe?
Porque enquanto a chuva continuar caindo, ela não sairá do lugar.







05/06/12
Jenny Green


Fonte das fotos:

http://thaistenorio.blogspot.com.br/2011/11/entre-um-tremuma-pena-e-uma-flore.html

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Metade




Não sou nada
Quase nada do que eu faço é certo
Erro quase o tempo todo
Sou criticada, engolida, subestimada
Me colocaram dentro de uma panela de pressão e disseram:
CONTROLE-SE, não vá explodir!




Eu acerto às vezes
mas caio, quebro a cara,
digo que  nunca mais farei aquilo e, no dia seguinte
choro  pela mesma coisa

Eu cresço, amadureço, e continuo uma criança
ainda  abraço meus bichinhos de pelúcia...

O papel é meu maior confidente.
Falo com ele sem medo das consequências
Tenho um refúgio dentro de mim,
para onde corro quando me sinto ameaçada

Sou mais uma pessoa comum
Uma cidadã que anda pelas ruas sem reclamar;
Uma jovem com desejos e planos,
e uma idosa com medo de ver o que está atrás da porta

O Medo do novo

Sou curiosa, tagarela, difícil,
Fico na média
Na média da voz, na média da escola,

Na média da vida

Não a melhor nem a pior
Sou apenas a metade do que posso ser.











01.06.12
Jenny Green

Fonte das fotos: