Andando por aí, sem rumo, em um dia comum da semana, em que as pessoas estão correndo pra lá e pra cá com seus inúmeros compromissos. Decidi parar.
Observar.
O caráter banal e efêmero dos dias vem enchendo minha cabeça de uma tal forma, que meus neurônios entraram em pane.
Comecei a pirar, a achar que todos vinham em minha direção, que o mundo estava errado em todo e qualquer aspecto e que sempre tinha, como diz Drummond, uma pedra no caminho; uma pedra pronta para machucar meus pés e me fazer tropeçar.O sol acizentado da manhã, que desperta bilhões de pessoas, e as lembra de seu trabalho, perdeu o seu verdadeiro brilho. Ele se tornou cinza, igual aos prédios e ruas da cidade. Virou uma rotina previsível e sem graça. Pra que olhar, se logo logo, antes que percebamos, a lua chega?
Sentei em um pedaço da calçada, onde ninguém poderia me notar.
Invisível.
Estou cansada demais desse mundo; A escassez de beleza está me fazendo perder a cabeça. Não a beleza em termos físicos, mas a beleza que transcende ao ser humano: a bondade, gentileza, solidariedade, paciencia.
Amor.
A sociedade está exigindo demais das pessoas, está nos deixando obcessivos por uns papéis sujos chamado de "dinheiro". Para alguns, felicidade.
A felicidade a venda.
Ela nos transformou em peças da sua ideologia consumista; nos transformou em seres sem feição e sem sentimentos,sem opinião própria, escravos de um círculo vicioso.
Somos numeros com vida finita.
Temos preço.
Pus a mão na cabeça e me perguntei o que eu estava me tornando. A multiplicidade de pensamentos me deixa sem saída- um milhão de respostas erradas e certas, sem um caminho exato para a liberdade.
Não vejo mais cores aqui.Tudo se tornou igual.As pessoas, as risadas, os momentos e as brincadeiras, por melhores que sejam, não tiram de mim aquele sorriso verdadeiro e espontâneo.
Percebi, então, que estou vazia. De novo.
Tudo o que resta de mim, é uma dependência emocional de acontecimentos passados, que não tem por quê permanecer no presente e, que só nao soltei por medo de um dia precisar das sensações que essas memórias me trazem e, então, estar sem meu estoque de lembranças.
Idiotice sem tamanho.
O que me dá vontade de fazer é comer, comer e comer, para ignorar o resto do mundo ou me trancar em uma sala com alguns livros e um piano, com o mesmo objetivo. Desse jeito, eu poderia pensar melhor, e achar as minhas verdades, meus posicionamentos, opinões e também refletir sobre meus sentimentos, que a cada dia me deixam mais dependente de pessoas erradas e de um passado errante.
O que me prende ?
E, quando menos esperar, chegar a conclusão que o que me atormenta do lado de fora está, na verdade, dentro de mim.
Que o tic tac contínuo que escuto e a visão embaralhada e acizentada que tenho da sociedade é, na verdade, uma bomba relógio instalada na minha cabeça, que está prestes a explodir.
Jenny Green
09-03-2012

PS: Eu sei que não faz sentido.
Mas 'o sentido da arte é exprimir
O que se exprime não interessa.' *
* Fernando Pessoa

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