domingo, 30 de junho de 2013

Pra acabar com tudo, e começar de novo.


 

E eu me odeio por não te odiar como eu devia. Mas na verdade, não me odeio. Que a realidade fique bem clara: sempre me lembrei de você, mas nunca te quis de volta. (Não do jeito que está, não do jeito que foi). Quer dizer, só as vezes. Só as vezes ir a sua casa no meio da tarde pra jogar videogame faz falta. Só as vezes dá saudade de andarmos juntos por razão nenhuma. Só as vezes falar contigo por msn faz falta, mas assim, só as vezes. Mas nunca tive chance de expressar minha saudade, pois você sempre pertenceu a outro alguém. E não julgo a pessoa, não ligo mais se tiver que vê-la, não tenho mais crises. E, por isso, escrevo textos e textos, invento histórias, crio um outro mundo para que eu possa inventar a vontade, imaginar um novo futuro com um novo você, que, obviamente, não existe.
Mas isso, eu não falo pra ninguém, não, porque não quero me expor e também porque não devo. Guardo essas palavras como que um diário, porque gostaria de dizê-las ao mundo, de gritar e esfrega-las na sua cara e na cara de todos. Tirar o disfarce de indiferença de quando eu olho pra você no meio das pessoas. Parar de negar que, mesmo depois de três longos e breves anos, te ver ainda me traz consequências emocionais, como essas. Liberta energias, quem sabe, para que as coisas melhorem.

"And after all, you’re my wonderwall"

Você já era pra estar esquecido, enterrado, morto, e eu, com ódio, deveria não querer te ver, ou te ver bem mal, sufocado. Com remorso, pensando em mim e no que perdeu por não me dar valor. Mas isso não acontece.
Você, aparentemente, está feliz, e eu continuo deixando a esperança em um canto, alimentando-a com imagens, com seu olhar que nunca, mas nunca muda. Mas o engraçado é, olho para o real de você, vejo o que você fez comigo e em como eu não deveria querer te ver.
 Nem hoje nem nunca mais. Faz tanto tempo, que se tornou estranho e comum manter esses pensamentos comigo, pensamentos que, ao mesmo tempo, mostram a realidade nua e crua e, ao contrário, como eu sempre queria que ela tivesse sido. Vejo o quão bobo, simples, às vezes patético, e até idiota, você sempre foi enquanto convivi com você. Será que perderia mesmo uma amizade por isso? Será que, se parar para analisar, ela me vale tanto assim?  Sei que, no fundo, eu queria que tivesse dado certo, que tivesse rolado algo mais, que, sei lá, você tivesse voltado atrás e pensado mais um pouco.
 Queria que nós tivéssemos tentado, dado uma chance ao que parecia improvável, e ao que, na época, pareceu forçado e arranjado. Foi bom e ruim, certo e errado. Talvez por isso tenha se evaporado em nada. Talvez eu realmente gostasse de você, com suas criancices, besteiras, e com todo mundo falando que você só é um aproveitador, interesseiro, papo mole, mimado e feio. Será que um dia ligou mesmo pra mim ou só me usou como oportunidade para chegar a alguém que você de fato se sentiu atraído? Ok, eu sou uma tola, infantil, estúpida, que ainda tenta conversar com você, chamar sua atenção, e tudo isso pra que? A preço de que? De expor minha fragilidade ainda mais?
  É bom e estranho, errado e normal, soa tão estúpido e tão prazeroso, é como despertar algo que havia adormecido- não de forma bruta, mas de leve. Estar sentada ao seu lado é como voltar a ser o que eu queria ter sido pra sempre- inocente, boba e alegre-  se você, naquela situação enroscada, não tivesse feito com que eu me sentisse um lixo, feito com que eu quisesse apagar todo meu passado e nunca sequer ter te conhecido.

E isso soa como palavras que já deveriam ter sido ditas a você faz tempo, pra acabar com esse negócio de você fazer parte do meu inconsciente de uma vez por todas. Pra acabar com essa mania de você viver minha vida no meu lugar, sendo feliz quando poderíamos estar juntos, não como casal, mas como algo que, naturalmente, seria bonito; simplesmente ter começado tudo do zero. Sim, eu estaria disposta a isso, se você ao menos desse um sinal de que ainda me quer por perto.

Pra acabar com esse boneco que eu insisto em construir, mas que não você.

E pra te esquecer logo de uma vez, finalmente, quem dera.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22/06/13
Jenny Green
Fotos:
 
http://padmashanti.blogspot.com.br/2010/07/pratica-de-deixar-ir.html