segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A culpa...não é das estrelas (uma história sem ponto final)


It's just another night
And I'm staring at the moon
Saw a shooting star and thought of you
Sang a lullaby by the water side and knew
If you were here, I'd sing to you”
                     Ed Sheeran- All of the stars

Tantas ideias passaram pela minha cabeça e tantas foram embora. As flores são ingratas e não expressam nossas saudades, tampouco nossa tristeza. A emoção que vem, que invade, faz a alma chorar, mesmo sem saber exatamente porque.

Os pensamentos egoístas me fazem sentir pequena, inútil demais, e fico sem saber em qual ponto eu deveria parar para refletir. Absorver a fragilidade do momento, dos laços, exige demais de cada um, a sua maneira; mas confesso que ver que você ainda era capaz de sorrir confortou meu coração.

Talvez, vai ser difícil, mas engolir as lágrimas e fingir que eu nunca realmente estive lá seja, por falta de palavras, o melhor a se fazer. Não dizer nada, não criar uma sombra ainda maior em cima do que aconteceu, apenas se conformar com o fato de que essa é a mais solitária das dores. A alegria pode ser compartilhada, mas a tristeza você carrega sozinho.

No âmago da situação, com uma pitada de consciência, você sabe, eu sei que sabe, que a real luta é você contra você mesmo.
Então, quem sabe, esse não seja o fim.

Eu fiquei travada, queria fazer tanta coisa mas soube desde o início que nada poderia ser feito. A vida segue, mas os nossos passos são incertos.

A verdade é que a história é cíclica, e se repete a cada dia com mais intensidade.  É tão difícil partir daqui com essa visão que ofusca meus olhos, assim como é difícil aceitar um adeus. Talvez o tempo. Talvez o sorriso, talvez o amor. O amor. Talvez algo um dia nos cure. Quem sabe exista um remédio para apagar as lembranças. Mas a vida é um efeito borboleta. Sempre nos lembrando, mas talvez, talvez, dê pra fazer alguma coisa a respeito.

E não existe culpa. Apenas o acaso. A imprevisibilidade de tudo.
Duvido que a culpa seja das estrelas, ou de qualquer elemento ou pessoa. Nesta dolorosa peça, a vítima se apresenta sozinha, e se retira do palco sem se despedir. As cortinas se fecham e a plateia procura um motivo pra ficar, mesmo sem espetáculo.

Quem sabe escrever, ouvir uma música, tocar, correr até alcançar o horizonte pra tentar apagar o que ficou pra trás- mas, inconscientemente, sabemos- vai sempre estar presente. No nosso caminho, no nosso redor, dentro da gente. O peso é grande e quase suportável. Mas carregamos este mundo conosco.

Uma história que cabe numa linha. Uma frase que não foi escrita.
Um parágrafo que não foi terminado.
Um texto, largado em umas folhas de papel, que não chegou ao seu ponto final.
Corri, mas não deu tempo.

“Você morre no meio da sua vida, no meio de uma frase”

 














-12/08/13 ----- 23/12/13
Jenny Green

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Metades

Quando os dois se tornam um, e uma metade da laranja se perde



                                                          

“I'll run away with your foot stepsI'll build a city that dreams for twoAnd if you runaway, I willFind you”

Zedd- Find You


A gente tem esse negócio de querer viver pro outro, de fazer do outro a nossa fonte de bem estar. Mas acontece que, muitas vezes, a pessoa que nos agarramos por ser nossa válvula de escape também nos decepciona, afinal, é um ser humano como qualquer outro. Objetos inanimados não respondem e idealizar uma realidade que não é a sua, ficando nela para aliviar os pensamentos, também não e a melhor decisão.

Eu penso muito nisso quando olho casais, amigos, ou o que quer que seja, que tenha se transformado em uma relação de dependência- algo desesperador, para falar a verdade (só de olhar)... As mãos estão entrelaçadas mesmo quando se falam ao telefone, o amor de um arrasta o outro, e a dependência se instalou como um filho, que é responsabilidade dos dois manterem vivo. E se um deles um dia falha, o mundo do outro desaba, é assim que acontece, quando os dois se separam para seguir o seu caminho, eles percebem que já perderam sua personalidade.

Pera, do que eu gostava antes de acompanhá-lo sempre em lojas de música e instrumentos? O que eu fazia de domingo a tarde antes de frequentar os almoços na casa dela? Qual foi a última vez que dormi sem receber um boa noite e acordar com um bom dia alegre? Qual foi a última vez em que tive uma paz interior e descansei por completo sem pensar que o que tínhamos tinha se tornado um compromisso para saciar nossa insegurança?  

Qual foi a última vez que levantei os olhos para encarar outras pessoas quando ela estava por perto? Quando foi que me perdi em minha própria vida e passei a viver inteira e completamente a sua? Seus sonhos eram meus sonhos. Sua alegria era minha tranquilidade e os seus medos me incomodavam.

Escrever sempre me aliviou mas, com você por perto, eu abandonei meu por hábito por pensar que você me completaria. Suas músicas, você as deixou pra trás também. Pensei que só você seria necessário para preencher o vazio que todo mundo tem.,. e aposto que você pensou o mesmo sobre mim.

Como seu perfume se alastrou rapidamente pelo que chamam de coração, eu achei que era você minha cara metade, que, para eu ser feliz, só bastava a gente ser feliz. Mas não foi assim. Não é assim. Acabou se tornando um vício que eu não pude mais controlar. Onde um estava, o outro estava também, tinha se tornado uma sombra que se arrastava por todos os cantos.

Nosso nome se tornou um lugar-comum. Eu bem queria, desesperadamente, largar tudo pra ficar só com você, mas o que acontece é que a vida vai nos pedir outra coisa; para pode sobreviver nessa selva sem cor é preciso independência, tempo...coisas que, juntos assim, não vou conseguir.

Inevitavelmente, nossos caminhos iam chegar ao fim alguma hora. Não dá pra dizer que duraria pra sempre, porque consumirmos demais um do outro, como uma chama que termina em pólvora. Se continuássemos juntos, acredite, ia acontecer uma implosão- pode até parecer engraçado, mas nós iríamos viver meio que saturados um do outro. Cansados, com essa sua cara de preocupação e de querer estar sempre certo e eu, claro, quase um espelho, com os mesmos sintomas.

Para eu não te impedir viver (porque eu me incomodava com muita coisa do seu cotidiano) eu tive que abrir mão de você. Porque é muito mais fácil e cômodo perder uma pessoa do que mudar nossas próprias vontades para agradá-la.

Foi tudo muito intenso, muito rápido, e acabou tomando proporções que eu jamais imaginei quando você fez aquele pedido simples em uma tarde tranquila. Eu sorri e aceitei sem ter a ideia de que viveríamos assim, a todo momento, sendo tão iguais e compartilhando da mesa opinião.

No começo foi bonito. O nervoso, a vontade de conversar.... te ver todo dia me fazia dormir suspirando e acordar sorrindo, mas agora se tornou um peso. Agora, você se tornou algo certo, presente até quando eu quero ficar sozinha. E mesmo sem ninguém eu sinto sua presença. Me observando. O que achei lindo agora me sufoca. É claro que isso tudo é válido pra você também.

Ah, como pudemos achar que isso teria futuro? Não tinha nada errado, nada que fosse forte o suficiente para acabar com o amor. Não tinha Daniel Radcliffe ou Emma Watson capazes de esfriar a nossa vontade de estar juntos.

É que nós tínhamos nos tornado tão “dois”, que eu quase não enxergava você além do que eu via. Você era meu, e fim. E eu era sua. Não tinha mais o menino que gostava de música e a menina que amava ler e escrever.

Talvez todas as nossas esperanças e desejos só serviram pra manter a temperatura, o status e, como disse, saciar o nosso pavor de solidão. Mas tudo isso se perdeu, passamos a conviver de uma maneira doentia achando que aquilo ia nos curar. Mas estávamos errados.

Não existe esse negócio de se tornar outra pessoa, de querer insistir em fazer dar certo quando uma das metades se perdeu. Não dá pra completar o que já é inteiro. Hoje, olhando pra trás, eu me arrependo. Sabendo que não dava pra ser desse jeito, a gente deveria ter desistido dessa história de “metades”; parando para pensar bem, era melhor que tivéssemos sido um.
28/08/14Jenny Green


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Resenha: Feios - Scott Westerfeld


Não é a toa que este livro foi um dos mais vendidos do The New York Times. Não só Feios, mas todos os quatro livros da série. Scott Westerfeld soube trazer para uma história de ficção científica (que contém, é claro, uma pitada de romance adolescente) muitas das características da nossa sociedade e, ainda por cima, fazer uma crítica à ditadura da beleza e à busca incessante da perfeição. 

A frase que está na capa, logo abaixo do nome do livro, traduz a sua ideia e instiga a curiosidade: "Em um mundo de extrema perfeição, o normal é feio". O design e a foto chamaram minha atenção assim que olhei, mas foi esta frase que me fez tirar o livro da estante da livraria e levar pra casa. Esta resenha é sobre o primeiro livro da série, logo colocarei a dos outros três. (:

A história se passa séculos à nossa frente, em uma sociedade organizada que dispõe de altíssima tecnologia e que é rodeada por uma floresta teoricamente intocada. A personagem principal é Tally, uma garota considerada feia. Não, ela não é uma aberração da natureza ou algo do tipo, ela só é classificada assim por não ser uma "perfeita". Ela mora em Vila Feia, onde os jovens ficam até completarem 16 anos e passarem por uma cirurgia que tirará deles todas as "imperfeições".

Logo após esta operação, eles passam a morar em Nova Perfeição, uma cidade movimentada por muitas festas de arromba, diversão, pessoas bonitas, romances, pranchas voadoras e jaquetas de bungee-jump. Como o próprio nome sugere, neste lugar todos são perfeitos. Não existe violência, revoltas, trabalho, tristeza, brigas ou qualquer coisa que subverta a ordem. 

Tally não vê a hora de completar 16 anos para se tornar um deles. Só que ela acaba conhecendo Shay, uma adolescente que não está nada ansiosa para se tornar perfeita. Esta garota acaba apresentando à Tally um outro estilo de vida, que é bem diferente do mundo que ela quer pertencer. Com isso, Tally fica indecisa: "trair" a amiga ou se tornar "perfeita"? 

É neste dilema que a nossa personagem principal vai conhecer o lado nada bonito desta suposta perfeição, porque nesta sociedade, assim como na nossa, a beleza tem seu preço.

Como a própria Tally acaba percebendo, uma sociedade que vive de aparências é muito superficial.  Uma das nossas maiores preocupações (se não for a maior para alguns) é ter um corpo malhado, dentes brancos e uma pele sempre jovem. Assim,  acreditamos que vamos conseguir arranjar um namorado(a) (que seja lindo, de preferência), ser populares, ter muitos amigos e ser bem sucedidos. E o que mais poderíamos querer?

 O livro nos leva a refletir sobre isto. Fomos ensinados a acreditar que o que nos é imposto como ideal deve ser o único padrão a ser seguido. Basta prestar atenção nos comerciais, novelas, capas de revistas, fotos de famosos, etc e você mesma verá que o ideal da nossa sociedade não é mais o belo mas, sim, o perfeito. Muitas pessoas se submetem à cirurgias plásticas e práticas desnecessárias (que acabam prejudicando a sua saúde) para alcançar uma beleza - e um estilo de vida-que é totalmente irreal.  

O autor conseguiu manter minha curiosidade da primeira linha à última página. Superou minhas expectativas. É uma história criativa e de tirar o fôlego que me proporcionou, além de uma leitura super agradável, uma nova visão sobre a sociedade em que vivemos que, de perfeita, não tem nada.

E aí, se interessou?

Serviço

Livro: Feios
Autora: Scott Westerfeld
Páginas: 419
Data de publicação: 2005
Editora: Galera Record 
Preço médio: R$ 35

Publicado também no blog Bio-Livros