sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Os opostos se distraem, e os dispostos também


Where have the times gone, baby, it’s all wrong, 
where are the plans we made for two?

Payphone- Maroon 5



Jamais quis te transformar em poesia, mas fiquei marcada pelo calor do teu abraço. E, por mais que faça tempo, as lembranças e a música me invadem como se tivesse sido ontem. Pena que, quando percebi isso, já era tarde e a mágica tinha desaparecido como uma estrela cadente na escuridão.

Falar com você, às vezes, tanto faz. Não traz nada a não ser uma emoção oca, sem carga e sem atração; porque viver fingindo que você não existe, ou nunca existiu, não dá. Talvez a solução seja te aniquilar, os esforços são em vão e, às vezes, dá vontade de voltar atrás e tomar outra atitude. Sim, eu teria feito tudo diferente na nossa pequena eternidade, tão pequena que pode ser contada numa crônica.  É uma linha que continua, mas sem letras em cima, algo sem um propósito. Quase sem história, que está ali só por estar, simplesmente porque nunca saiu...será que eu quis que você saísse?

Você colocou os três pontos no final, e não apagou quando decidiu não ser mais um personagem do meu livro. Todos esperam uma continuação, aquela que nós sabemos que nunca vai existir. É a frase escondida entre parênteses- que finge não estar ali, mas tem a capacidade de mudar o sentido do texto.

E não adianta eu tentar te colocar em um patamar especial na minha mente- o que foi, foi. Já aconteceu, e talvez o único motivo pelo qual eu me lembre daquela tarde chuvosa é porque não dá pra criar uma nova vida onde este momento não tenha existido. Sua existência pautou parte do que eu sou e, agora, você está acumulando pó no fundo da estante. Já está na hora de te deixar passar?

Te ver novamente gerou em mim uma nova atitude, uma vontade de seguir em frente. Só agora, depois de muito tempo, noites sem sono, lágrimas sem sentido e um amor que foi esmagado (forçado) pelas circunstâncias, é que eu criei forças pra me levantar e assumir pra mim mesma que não daria certo- aqueles momentos de alegria não iriam pra frente, mesmo com muito esforço.

E, realmente, ao olhar meu reflexo no espelho, eu ainda te vejo em meus olhos, mas...você está sumindo. O que era concreto está se diluindo nas sombras do “eu não te tenho mais por perto, não tenho a intenção e não tem porque tentar”.

Eu realmente não consigo imaginar uma vida sem que você tivesse feito parte dela. E acredito que você também não. Mas, às vezes, o que achamos que era duradouro, se esvai de-repente de seu significado, até sua imagem não causar mais nenhuma reação, nem um sorriso torto de saudade nem agonia. Só mesmo aquele aperto de te deixar ir, mesmo com você já indo, já estando na metade de outro caminho, bem longe do meu.

Nos chocamos para ver que não nos pertencemos. Somos feitos de escolhas diferentes, opostas. Eu até te diria: “estou aqui”, mas eu simplesmente virei o retrato com a sua foto.

Aquela música daquela banda que você me apresentou, infelizmente, não tem nada a ver com a nossa vida, apesar de ter combinado com a nossa pequena história- Tão rápida...leitura agradável. Mas é hora de fechar o livro.


Jenny Green
08/06/14

Imagens :www.potencialgestante.com.br
 

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Eu, uma biblioteca, um dia frio

“I want to die in your arms
'Cause you get lighter
The more it gets dark
Such a heavenly view”
Sky full of stars- Coldplay



Olhando em seus olhos, eu só espero que o encantamento não acabe, e que seu sorriso não morra- assim que nascer o dia.
Eu espero que o calor do seu carinho dure, e perdure, nos dias frios, e que me aconchegue em seu colo.
Eu só quero que, no inverno, seus passos não se apaguem, ao caminhar do meu lado; que eles continuem me carregando quando necessário.
E que suas palavras me sirvam de abrigo, sendo elas veneno ou conforto, na ansiedade ou no desespero. Eu só que o seu beijo me dê a certeza que eu preciso para seguir em frente, quando o vento sopra forte e arrasta tudo pra trás.
E que a compreensão seja minha melhor amiga quando eu quiser fugir, que a sua companhia sempre presente não me abandone...nos dias escuros, sim, eu sei como pode ser difícil.
Por fim, só quero mesmo que o amor seja pra sempre, e que esse pra sempre, a velha promessa, nunca tenha fim.

J. Green

02/10/2014

Imagem: Querida neurose (wordpress)


segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A culpa...não é das estrelas (uma história sem ponto final)


It's just another night
And I'm staring at the moon
Saw a shooting star and thought of you
Sang a lullaby by the water side and knew
If you were here, I'd sing to you”
                     Ed Sheeran- All of the stars

Tantas ideias passaram pela minha cabeça e tantas foram embora. As flores são ingratas e não expressam nossas saudades, tampouco nossa tristeza. A emoção que vem, que invade, faz a alma chorar, mesmo sem saber exatamente porque.

Os pensamentos egoístas me fazem sentir pequena, inútil demais, e fico sem saber em qual ponto eu deveria parar para refletir. Absorver a fragilidade do momento, dos laços, exige demais de cada um, a sua maneira; mas confesso que ver que você ainda era capaz de sorrir confortou meu coração.

Talvez, vai ser difícil, mas engolir as lágrimas e fingir que eu nunca realmente estive lá seja, por falta de palavras, o melhor a se fazer. Não dizer nada, não criar uma sombra ainda maior em cima do que aconteceu, apenas se conformar com o fato de que essa é a mais solitária das dores. A alegria pode ser compartilhada, mas a tristeza você carrega sozinho.

No âmago da situação, com uma pitada de consciência, você sabe, eu sei que sabe, que a real luta é você contra você mesmo.
Então, quem sabe, esse não seja o fim.

Eu fiquei travada, queria fazer tanta coisa mas soube desde o início que nada poderia ser feito. A vida segue, mas os nossos passos são incertos.

A verdade é que a história é cíclica, e se repete a cada dia com mais intensidade.  É tão difícil partir daqui com essa visão que ofusca meus olhos, assim como é difícil aceitar um adeus. Talvez o tempo. Talvez o sorriso, talvez o amor. O amor. Talvez algo um dia nos cure. Quem sabe exista um remédio para apagar as lembranças. Mas a vida é um efeito borboleta. Sempre nos lembrando, mas talvez, talvez, dê pra fazer alguma coisa a respeito.

E não existe culpa. Apenas o acaso. A imprevisibilidade de tudo.
Duvido que a culpa seja das estrelas, ou de qualquer elemento ou pessoa. Nesta dolorosa peça, a vítima se apresenta sozinha, e se retira do palco sem se despedir. As cortinas se fecham e a plateia procura um motivo pra ficar, mesmo sem espetáculo.

Quem sabe escrever, ouvir uma música, tocar, correr até alcançar o horizonte pra tentar apagar o que ficou pra trás- mas, inconscientemente, sabemos- vai sempre estar presente. No nosso caminho, no nosso redor, dentro da gente. O peso é grande e quase suportável. Mas carregamos este mundo conosco.

Uma história que cabe numa linha. Uma frase que não foi escrita.
Um parágrafo que não foi terminado.
Um texto, largado em umas folhas de papel, que não chegou ao seu ponto final.
Corri, mas não deu tempo.

“Você morre no meio da sua vida, no meio de uma frase”

 














-12/08/13 ----- 23/12/13
Jenny Green

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Metades

Quando os dois se tornam um, e uma metade da laranja se perde



                                                          

“I'll run away with your foot stepsI'll build a city that dreams for twoAnd if you runaway, I willFind you”

Zedd- Find You


A gente tem esse negócio de querer viver pro outro, de fazer do outro a nossa fonte de bem estar. Mas acontece que, muitas vezes, a pessoa que nos agarramos por ser nossa válvula de escape também nos decepciona, afinal, é um ser humano como qualquer outro. Objetos inanimados não respondem e idealizar uma realidade que não é a sua, ficando nela para aliviar os pensamentos, também não e a melhor decisão.

Eu penso muito nisso quando olho casais, amigos, ou o que quer que seja, que tenha se transformado em uma relação de dependência- algo desesperador, para falar a verdade (só de olhar)... As mãos estão entrelaçadas mesmo quando se falam ao telefone, o amor de um arrasta o outro, e a dependência se instalou como um filho, que é responsabilidade dos dois manterem vivo. E se um deles um dia falha, o mundo do outro desaba, é assim que acontece, quando os dois se separam para seguir o seu caminho, eles percebem que já perderam sua personalidade.

Pera, do que eu gostava antes de acompanhá-lo sempre em lojas de música e instrumentos? O que eu fazia de domingo a tarde antes de frequentar os almoços na casa dela? Qual foi a última vez que dormi sem receber um boa noite e acordar com um bom dia alegre? Qual foi a última vez em que tive uma paz interior e descansei por completo sem pensar que o que tínhamos tinha se tornado um compromisso para saciar nossa insegurança?  

Qual foi a última vez que levantei os olhos para encarar outras pessoas quando ela estava por perto? Quando foi que me perdi em minha própria vida e passei a viver inteira e completamente a sua? Seus sonhos eram meus sonhos. Sua alegria era minha tranquilidade e os seus medos me incomodavam.

Escrever sempre me aliviou mas, com você por perto, eu abandonei meu por hábito por pensar que você me completaria. Suas músicas, você as deixou pra trás também. Pensei que só você seria necessário para preencher o vazio que todo mundo tem.,. e aposto que você pensou o mesmo sobre mim.

Como seu perfume se alastrou rapidamente pelo que chamam de coração, eu achei que era você minha cara metade, que, para eu ser feliz, só bastava a gente ser feliz. Mas não foi assim. Não é assim. Acabou se tornando um vício que eu não pude mais controlar. Onde um estava, o outro estava também, tinha se tornado uma sombra que se arrastava por todos os cantos.

Nosso nome se tornou um lugar-comum. Eu bem queria, desesperadamente, largar tudo pra ficar só com você, mas o que acontece é que a vida vai nos pedir outra coisa; para pode sobreviver nessa selva sem cor é preciso independência, tempo...coisas que, juntos assim, não vou conseguir.

Inevitavelmente, nossos caminhos iam chegar ao fim alguma hora. Não dá pra dizer que duraria pra sempre, porque consumirmos demais um do outro, como uma chama que termina em pólvora. Se continuássemos juntos, acredite, ia acontecer uma implosão- pode até parecer engraçado, mas nós iríamos viver meio que saturados um do outro. Cansados, com essa sua cara de preocupação e de querer estar sempre certo e eu, claro, quase um espelho, com os mesmos sintomas.

Para eu não te impedir viver (porque eu me incomodava com muita coisa do seu cotidiano) eu tive que abrir mão de você. Porque é muito mais fácil e cômodo perder uma pessoa do que mudar nossas próprias vontades para agradá-la.

Foi tudo muito intenso, muito rápido, e acabou tomando proporções que eu jamais imaginei quando você fez aquele pedido simples em uma tarde tranquila. Eu sorri e aceitei sem ter a ideia de que viveríamos assim, a todo momento, sendo tão iguais e compartilhando da mesa opinião.

No começo foi bonito. O nervoso, a vontade de conversar.... te ver todo dia me fazia dormir suspirando e acordar sorrindo, mas agora se tornou um peso. Agora, você se tornou algo certo, presente até quando eu quero ficar sozinha. E mesmo sem ninguém eu sinto sua presença. Me observando. O que achei lindo agora me sufoca. É claro que isso tudo é válido pra você também.

Ah, como pudemos achar que isso teria futuro? Não tinha nada errado, nada que fosse forte o suficiente para acabar com o amor. Não tinha Daniel Radcliffe ou Emma Watson capazes de esfriar a nossa vontade de estar juntos.

É que nós tínhamos nos tornado tão “dois”, que eu quase não enxergava você além do que eu via. Você era meu, e fim. E eu era sua. Não tinha mais o menino que gostava de música e a menina que amava ler e escrever.

Talvez todas as nossas esperanças e desejos só serviram pra manter a temperatura, o status e, como disse, saciar o nosso pavor de solidão. Mas tudo isso se perdeu, passamos a conviver de uma maneira doentia achando que aquilo ia nos curar. Mas estávamos errados.

Não existe esse negócio de se tornar outra pessoa, de querer insistir em fazer dar certo quando uma das metades se perdeu. Não dá pra completar o que já é inteiro. Hoje, olhando pra trás, eu me arrependo. Sabendo que não dava pra ser desse jeito, a gente deveria ter desistido dessa história de “metades”; parando para pensar bem, era melhor que tivéssemos sido um.
28/08/14Jenny Green


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Resenha: Feios - Scott Westerfeld


Não é a toa que este livro foi um dos mais vendidos do The New York Times. Não só Feios, mas todos os quatro livros da série. Scott Westerfeld soube trazer para uma história de ficção científica (que contém, é claro, uma pitada de romance adolescente) muitas das características da nossa sociedade e, ainda por cima, fazer uma crítica à ditadura da beleza e à busca incessante da perfeição. 

A frase que está na capa, logo abaixo do nome do livro, traduz a sua ideia e instiga a curiosidade: "Em um mundo de extrema perfeição, o normal é feio". O design e a foto chamaram minha atenção assim que olhei, mas foi esta frase que me fez tirar o livro da estante da livraria e levar pra casa. Esta resenha é sobre o primeiro livro da série, logo colocarei a dos outros três. (:

A história se passa séculos à nossa frente, em uma sociedade organizada que dispõe de altíssima tecnologia e que é rodeada por uma floresta teoricamente intocada. A personagem principal é Tally, uma garota considerada feia. Não, ela não é uma aberração da natureza ou algo do tipo, ela só é classificada assim por não ser uma "perfeita". Ela mora em Vila Feia, onde os jovens ficam até completarem 16 anos e passarem por uma cirurgia que tirará deles todas as "imperfeições".

Logo após esta operação, eles passam a morar em Nova Perfeição, uma cidade movimentada por muitas festas de arromba, diversão, pessoas bonitas, romances, pranchas voadoras e jaquetas de bungee-jump. Como o próprio nome sugere, neste lugar todos são perfeitos. Não existe violência, revoltas, trabalho, tristeza, brigas ou qualquer coisa que subverta a ordem. 

Tally não vê a hora de completar 16 anos para se tornar um deles. Só que ela acaba conhecendo Shay, uma adolescente que não está nada ansiosa para se tornar perfeita. Esta garota acaba apresentando à Tally um outro estilo de vida, que é bem diferente do mundo que ela quer pertencer. Com isso, Tally fica indecisa: "trair" a amiga ou se tornar "perfeita"? 

É neste dilema que a nossa personagem principal vai conhecer o lado nada bonito desta suposta perfeição, porque nesta sociedade, assim como na nossa, a beleza tem seu preço.

Como a própria Tally acaba percebendo, uma sociedade que vive de aparências é muito superficial.  Uma das nossas maiores preocupações (se não for a maior para alguns) é ter um corpo malhado, dentes brancos e uma pele sempre jovem. Assim,  acreditamos que vamos conseguir arranjar um namorado(a) (que seja lindo, de preferência), ser populares, ter muitos amigos e ser bem sucedidos. E o que mais poderíamos querer?

 O livro nos leva a refletir sobre isto. Fomos ensinados a acreditar que o que nos é imposto como ideal deve ser o único padrão a ser seguido. Basta prestar atenção nos comerciais, novelas, capas de revistas, fotos de famosos, etc e você mesma verá que o ideal da nossa sociedade não é mais o belo mas, sim, o perfeito. Muitas pessoas se submetem à cirurgias plásticas e práticas desnecessárias (que acabam prejudicando a sua saúde) para alcançar uma beleza - e um estilo de vida-que é totalmente irreal.  

O autor conseguiu manter minha curiosidade da primeira linha à última página. Superou minhas expectativas. É uma história criativa e de tirar o fôlego que me proporcionou, além de uma leitura super agradável, uma nova visão sobre a sociedade em que vivemos que, de perfeita, não tem nada.

E aí, se interessou?

Serviço

Livro: Feios
Autora: Scott Westerfeld
Páginas: 419
Data de publicação: 2005
Editora: Galera Record 
Preço médio: R$ 35

Publicado também no blog Bio-Livros

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Talvez
















Eu fiquei com a parte mais difícil. Depois que você foi embora, a minha tarefa é recolher pedaços de coração partido espalhados pelo chão. Ou qualquer resquício do orgulho que você tenha deixado para trás. Os presentes que você me deu...suas roupas...começaram com simples lembranças, e foram evoluindo...de algumas noites especiais, abraços apertados e, logo depois, uma alma que se entrelaçou à sua.

Pequenos objetos que você ia deixando aqui em casa, o tempo calculado que passávamos juntos no final de semana, as comemorações de família, onde todos perguntavam (e perguntam) por ti foram os primeiros indícios de que eu não ia te esquecer fácil. E nem deixar de olhar o celular procurando por uma mensagem tua, nem que seja um simples bom dia, que nada quer dizer.

Isso já aconteceu antes e sei que meu coração é tolo o suficiente pra deixar tudo acontecer de novo.  A dor, o medo, a insegurança- Depois que você fechou a porta do apartamento, dizendo que aquela era a última vez, que não dava mais pra continuar, eles me atormentam como demônios em um pesadelo interminável.

Confesso que, no início, não tinha noção de nada, nenhuma ideia sobre nós, e o medo de continuar era tão grande quanto o de acabar. Eu pensei que seria fácil o caminho, que só nos traria sorrisos...Afinal, a amizade que tínhamos sempre foi especial, lembra? Esquecer nunca foi fácil pra mim, só que eu pensei que eu nunca passaria por isso com você.

Meu refúgio, meu ombro nas noites desoladas, meu bom dia carinhoso, meu beijo especial de boa noite, o que aconteceu com a gente?

Aconteceu o que a gente (eu, principalmente) temia. Chegou a um ponto nossos desentendimentos, beijos e abraços que não dava mais pra voltar atrás. Ou a gente mergulhava de cabeça no desconhecido para salvar o que a gente tinha ou admitíamos que tínhamos chegado ao fim. Eu não confiava no nosso futuro, andávamos a passos vacilantes no presente, em uma corda bamba que ignorava o passado. E você não queria mais, tinha desistido de tentar fazer com que eu fosse sua, apenas, e a única mulher para fazer feliz.

É difícil saber onde te colocar nessa história, porque o que mais me assombra nas minhas noites sem sono é o quanto poderíamos ter sido felizes, aquela certeza que só vem quando eu sei que perdi a guerra. A pior batalha, de horas e horas jogadas fora...pensei que, por um instante, poderia nos salvar, só que não deu mais. E quando eu olho pra trás, a cama feita, a casa arrumada, o sol nascendo como se aquele fosse um dia normal...bate aquela culpa, a verdade de que a gente tem que tirar do passado alguma lição...não, eu me recuso a pensar nisso. Não vou deixar essa racionalidade me matar.

Estou deixando esta carta na sua porta porque a minha casa está vazia. Eu sei que tenho toda a vida pra começar de novo e tentar me encaixar em supostos planos divinos, mas eu não quero sem você. É ruim demais ver você em todos os móveis e objetos e você não estar lá.

Queria que você estivesse do meu lado, nem que fosse em pensamento, só pra que sua alegria me iluminasse nas piores horas.

Se, quando lembrar da nossa melhor noite, e eu sei que lembra, você ainda sorrir, saiba que, apesar desse meu jeito, eu só quis te ver feliz, te fazer um homem que fosse o meu. Quem sabe, assim, a gente não se dá uma chance, e faz tudo de novo, só que de outro jeito.

Daquele jeito nosso todo ao contrário e maravilhoso, que fez a gente diferente de todos os casais do mundo.
Porque você me prometeu que ia ser pra sempre e eu, como uma menina, acreditei. Por favor, não me deixe pra trás.
















Jenny Green

12-08-14

Fotos:

http://tialia.vn/bai-ca-ay-gio-anh-hat-cho-ai/
http://juliafighter.blog.ru/



quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Jogo de cartas

Eu te peço desculpa se eu não te mostrei meu melhor sorriso e se eu apostei seus sentimentos em um jogo de cartas. Era uma noite fria e eu nao podia fazer nada que não quisesse porque, sabe, era o meu dia, a minha hora de ser o eu que sou escondida, mas na frente de todos.

É uma atitude simples e muito mal,educada, mas eu nao queria te apostar, nao queria te perder naquele calor, mas eu tinha que te libertar dessa prisão que é estar comigo.

É claro que eu esperava que tudo terminasse bem, mas eu estava bêbada demais em meu próprio mundo e emoções para fazer algo e te resgatar do poço que você se afunda toda vez por minha causa.

Não é que eu não queria, eu apenas sabia que não tinha forças e não podia, essa nao era minha tarefa. Depois de anos, eu me conheço o suficiente para saber que se prender a mim é um tipo de montanha russa maravilhosa e doentia que, um dia, acaba.

É que, agora, a.gente é jovem, e tudo parece o fim do mundo. Mas, você vai ver quando formos mais velhos, nada disso vai contar, sabe, esta noite vai ser lembrada como o dia que eu peguei a carta errada e joguei com o que nao devia: o seu coração.

Nada disso aconteceria se eu não sentisse, ligasse, ou nao fossr tao intensa e bagunçada com tudo que envolve sentimentos. Se eu nao escrevesse, talvez, e utilizasse das.horas mais aleatorias para transformar dores em poesia.

Nada disso seria realidade para você, se você não fosse tão você, esse jeito educado tao distante.das minhas maneiras. E eu, essa menina com jeito de criança, não fosse tao...eu.

Jenny Green
12-07-14

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Aquele dia


Minha reação foi melhor que eu esperei. Desde quando me entendi por gente (adulta), é que as pessoas ao meu redor tentavam me preparar de alguma forma para isto. Um aconteceminto que todos esperam, mas ninguém sabe.
O amadurecimento de menina a`mulher é um processo lento, transformador e difícil. Você é obrigado a enterrar suas ilusões infantis e suas esperanças de que, um dia, você vai viver um belo romance ou um conto de princesas da Disney. Sim, aquelas que eu nunca gostei nem admirei.
Eu estava de preto, a minha cor favorita, mas que parecia totalmente indiferente no momento. As pessoas vinham me comprimentar com abraços e lágrimas, e palavras de consolo, e aquelas milhares de baboseiras que deveriam servir como consolo, mas que todos sabem que de nada adiantam.
Era dia, o sol brilhava com toda sua força e, eu, amante do verão e seus prazeres, não diferenciei o peso do momento com a claridade do dia. Apesar da luz, parecia que estava escuro. Bom, algo estava.
Lembro-me de ver pessoas chorando, enquanto eu estava imóvel, querendo apenas correr pra longe. O momento te deixa sem saída, mas eu sabia que tinha de estar ali. Não sei por que, não sei por quem, mas fiquei até o fim. Até todos se recomporem, se despedirem, trocarem algumas palavras, abraços e saírem andando devagar e de cabeça baixa. Porque é assim que tem que ser, sempre é assim, e por que seria diferente?
Ela veio me abraçar depois, aquele abraço que só mães sabem dar, e disse que eu tinha reagido muito bem, e que tudo ia ficar bem. Será? Eu não me lembro de ter sido eu em nenhum instante. Tanto é que a tristeza que eu sentia tomou a forma de uma pessoa ao meu lado, mas eu não a senti diretamente. Tão forte e real era, que parecia ter se solidificado.
De-repente, eu estava em casa, sentada na cama e, logo depois, no chão. Lembro que a tarde chegou e, com ela, o barulho da porta se abrindo. Nem olhei para saber quem era. Ele se sentou ao meu lado e me ofereceu não só um ombro de consolo, mas um abraço e um carinho tranquilizante. Lembro de uma pontada de desespero enorme, como se fosse uma queda brusca à beira de um precipício; um rio estava pronto para vazar pelos meus olhos, mas não me lembro de ter soltado sequer uma lágrima.
E, então, o anoitecer veio, junto com o lembrete de que tudo tem um fim certo, mesmo os piores momentos. Meu menino me beijou e disse que ficaria lá o tempo que fosse preciso para me ver bem. Eu sorri, e não precisei me esforçar pra isso. Sorri mesmo sabendo que, por mais que ele amasse meu sorriso, não dava pra fingir. Eu sorri sabendo que uma hora ele teria que voltar pra sua casa, sua rotina.
E eu não me importei, diferente das outras despedidas. Quando a porta bateu, simplesmente olhei para o crepúsculo que transformava o céu em um mosaico de cores e estrelas. Contemplei por um instante o que era infinito, em uma imensidão bela e sem fim,  que dizia pra eu me colocar em meu lugar e apenas ser o que o momento pedia, um ser humano. Em uma pequena estrela ele tinha se tranformado, e eu nunca o tinha perdido de verdade.
01/08/2014
J.Green

segunda-feira, 14 de julho de 2014

Pra sempre...o nosso pequeno castelo

Once upon a time, I was falling in love
But now, I'm only falling apart
There's nothing I can do
Once upon a time, there was light in my life
But now, there's only love in the dark


Está vendo aquele castelo? Então, foi eu que colori pra gente. Antes, era só um pedaço de papel rabiscado jogado em uma gaveta empoeirada qualquer.  Aí a gente se encontrou.  Tudo foi perfeito por um tempo, parecia uma história escrita por um sábio há muito tempo atrás, mas... que de repente acabou.

Simplesmente esfriou, sabe? Não teve brigas, nem vírgulas e nem nada que fez a gente se dispersar. Foi a falta de. A falta daquilo que eu não sei bem o que é, mas é o que mantém um relacionamento vivo. Amor? Creio que não, porque eu te amei este tempo todo. Sobre isto, eu nunca menti pra você. Na verdade, nunca menti em momento nenhum. Fui sincero em todos os pontos, buscando sempre estar o melhor possível contigo, mesmo em todas as brigas, discussões, e aqueles dias em que nada corre tão bem... sempre me esforcei e dei o melhor de mim. E sei que com você não foi diferente.

Sabe as outras garotas? Sim, elas eram lindas, mas nenhuma tinha a sua beleza. Você sempre foi diferente, seu jeito de me ganhar foi ímpar, eu nunca tinha sentido algo assim com ninguém. Éramos realmente o que todos queriam ser e os olhares de inveja não nos abalavam.

Mas toda esta substância se foi. Quando demos conta, o que sobrava de nós era a aparência, aquele retrato bonito com nós dois sorrindo, na estante e em todos os cantos. E só. A alegria e a perfeição eram nossa marca registrada. Nós éramos a experiência, o casal que aguentou firme, que, na superfície não tinha problemas...menos para os que nos conheciam de verdade.

Do dia pra noite, o brilho e a mágica sumiram dos seus olhos. Não existia mais a garota com a qual eu tinha planejado todo um futuro juntos. E o momento que eu percebi isso não foi em uma tarde chuvosa ou em uma daquelas madrugadas dramáticas...muito pelo contrário... A cena parecia de um filme. Foi justamente após um sonho, um suspiro apaixonado e um sorriso de bom dia que eu percebi que a gente não mais existia. E eu sabia que você sabia, e sentia, o mesmo. Mesmo me olhando com seus olhos castanhos brilhantes, eu sabia que você temia dizer o que estava entalado na sua garganta, e o que nossa aparência perfeita escondia.

Parece que eu sabia cada palavra que você iria dizer quando me ligou dizendo que precisávamos conversar.
Eu sinto muito por você ter que ter tomado essa decisão. Eu não queria que tivesse sido assim, você sabe, eu realmente construí uma vida para nós, a melhor, a mais especial, em uma casa em que você pudesse se sentir o que você sempre foi e o que sempre será: a rainha do meu mundo.

O momento mais dolorido chegou, e só o que fizemos foi oficializar o que estava dentro da gente. Vamos ser fortes para enfrentar isto, porque desde o início dos tempos é sabido que as mais belas histórias de amor são as que mais machucam no fim.

Oque aconteceu...É tudo o que a gente já sabia, e doía em saber... Porque chegava o sábado e não chegava a saudade, chegava o momento mais perfeito, mas a alegria não estava...e o pior, quando o abraço apertava, mas não havia mais um coração, só duas pessoas.

Tínhamos tudo pra dar certo, mas simplesmente não deu. Tudo acabou como um sol que vai embora para dar lugar à noite, que se põe lentamente atrás da montanha e deixa as estrelas brilharem.
Você é uma estrela, meu amor, você sabe que merece tudo do melhor e do melhor. Se você soubesse como é ter alguém como você...Aí então você saberia o brilho que tem. E como você trouxe luz pra nossa estrada. Não existe nada na natureza que tenha essa paz que você transmite.

E o jeito que você me fazia sentir, acho que não vai existir nada igual que eu possa experimentar. Seu carinho foi uma dose única que nunca hesitou em me envolver, e dele quero me lembrar sempre.

Mesmo com todas essas coisas, minha rainha, eu anida queria poder segurar a sua mão, ainda queria ter a vontade de te segurar e te proteger de tudo, mas, infelizmente, não dá mais.
Desejo toda a sorte pra você nessa sua nova caminhada. Eles, que nos juntaram e nos acolheram nos momentos difíceis, dizem que todo fim é um novo recomeço. Eu sinto a esperança na voz deles, sabe? Eles querem que este recomeço seja de novo a gente. Juntos.

Só que nós sabemos muito bem a verdade. Mas, apesar disso... o pequeno castelo que eu colori, jogado no fundo da gaveta empoeirada, ele não vai ser mais de ninguém, aquele...mesmo com todas as portas fechadas, não tem como negar, vai ser pra sempre o nosso.

03-07-2014
Jenny Green

Imagem: http://just-find-it.blogspot.com.br/2012/06/castelo-da-faber-castel.html

Música: Total eclipse of the heart - Bonnie Tyler




segunda-feira, 30 de junho de 2014

Cinco minutos


















Eu queria ter cinco minutos... Cinco minutos para respirar e poder apreciar coisas simples do dia, como me espreguiçar e sorrir ao ver a luz do sol. Talvez, lá na frente, eu perceba que foi tarde, que eu desperdicei tempo, que eu não tinha (mesmo) que me sentir desse jeito e que ontem era cedo demais pra pensar no amanhã.

O futuro, que nos aguarda, quem sabe? Quem sabe por que nos preocupamos tanto com coisas pequenas? Os dias nos esperam recheados de surpresas e o que nos mata é não saber o que vai acontecer, aquela sensação de controle que se esvai.
Você não acha que a vida é curta (e por si só) difícil demais para exigirmos tanto de nós mesmos? A perfeição não existe. E, se existisse, qual seria a chance de ela nos alcançar, sendo que o que vai acontecer nos instantes depois do agora é impossível de prever?

Eu posso não ter nada, nem dinheiro, nem carro, nem sorte, nem um amor. Nada físico que me segure quando eu tropeçar em uma simples pedra.
Sou um sorriso triste, uma garota insatisfeita e um par de olhos perdidos.
Eu queria ter cinco minutos pra falar de mim, encher este texto de “eu’s” mas, na verdade, não existe em mim uma personalidade fixa, um personagem com o qual eu me identifique por completo.  É difícil admitir para mim mesma que eu não sou boa em tudo, é difícil aceitar que vão existir pessoas melhores, com mais sorte, dinheiro e bem menos complicadas... A questão é que eu não sei explicar porque tem dias que eu sinto que nada deveria existir, apenas eu e o banco de uma praça qualquer. E o silêncio nessas horas seria meu melhor amigo.

Em um ponto de ônibus, basta um olhar, e eu tenho uma cabeça cheia de ideias, sou capaz de formular uma história em segundos; um texto pronto com a caneta no papel, um emaranhado de palavras muitas vezes sem conclusão.

Uma alma que valha mais que um sentimento e um corpo que seja além do que uma máquina em funcionamento. Preciso de alguém que me carregue no fim do dia e me leve para a praia. Alguém, por favor, desliga meu celular, meu whatsapp, minha wi-fi, minha conexão com o mundo e me joga água fria e salgada no rosto no fim de tarde de um dia difícil. E, mergulhada no mar, então, seria só eu e o mundo; eu e um coração leve, um sorriso menos triste e uma cabeça com muito mais ideias- apenas ideias. Textos prontos que vem a mente em cinco minutos , como esse, e que, na verdade, só tinha a intenção de relatar uma coisa: a paz que eu senti quando acordei hoje, me espreguicei e vi que o sol , apesar de todas as dificuldades, ainda iluminava meu mundo.

10-04-2014
Jenny Green

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Velha infância

Você já foi minha inspiração. Hoje, você é um mero sopro que passa despercebido pela janela do meu quarto,
quando acontece uma tempestade,
enquanto eu durmo..
Mas se tudo estivesse tão bem, não haveria motivos para eu te querer agora,
e te ligar desesperadamente,
ou esperar sua ligação. (O que é pior)

Eu adoraria dizer que não penso em você
mas, meu amor, são quase 4 da manhã e eu aqui, decifrando meu mundo com palavras,
construindo frases na esperança de que façam algum sentido...Então, o que você acha que eu estou fazendo?

"Eu te esqueci" talvez soe incoerente ou até errado, quando, na verdade, a frase mais certa seja "eu te preciso"















Porque o que eu quero é voltar para um mundo diferente,

aquele em que sua sombra me protegia; aquela casinha que a gente construiu e que era só nossa..

O espaço que eu reservei na minha mente para pensar em você está vazio agora, amor, e essa solidão me assusta.
Você não vai jogar as correntes e me puxar de volta, como sempre fez? Porque a sensação que eu tenho é de estar saltando de um paraquedas,e o meu ponto de apoio era você.

Você era a certeza de que não daria errado.

Cadê esse lugar que a gente construiu? É um mundo superficial, esse que nos rodeia, e eu não quero ficar nele, porque a única verdade a qual eu me agarro é este sentimento, esta vontade...



Vento, sopra pro meu lado, porque a tempestade já passou.
Hoje a noite, eu quero a tua brisa,
quero a velha infância de volta.
Os mimos, as brincadeiras, os doces...porque perto de ti, sinto que sou apenas um menino, uma criança
E você cuidou de mim.

Você não vê que eu só preciso ser feliz sem precisar de você?
Me dê a mão e me ajude a atravessar, porque essa decisão eu não quero tomar sozinho;
 porque não estou pronto para assumir as minhas aventuras pelo meio fio..
E eu queria tanto dizer que te quero, mas a verdade é que me falta cuidado
Quero de volta a velha infância. Seu afago.

Seria ótimo pensar que te esqueci, mas preciso, preciso...
essa chama que queima em mim às 4 da manhã contradiz tudo o que eu preciso para seguir em frente;
E seu sopro, aquele que passou despercebido, na minha nuca,
ainda me causa arrepios.

Jenny Green
16/01/14

Fotos:
http://fazendopose.com.br/blog/velha-infancia/
http://contadoradeestrelas.blogspot.com.br/2011_03_01_archive.html