quinta-feira, 4 de julho de 2013

Procuro um amor...

Sou obrigada a dizer que, por mais bonito que seja, na minha opinião, o soneto de Luís de Camões sobre o amor é bem simplista, por boa parte dele tratar apenas do amor romântico, quase que como um sentimento....
“A ferida que dói e não se sente...”
É como se fosse possível “sentir” o amor, sentir que se ama...

Mas eu discordo.
Amar é algo mais profundo do que qualquer coisa que você possa sentir.
Uma letra de música, um poema ou uma história relata facilmente o desejo, a paixão, mas o amor é algo impossível de se colocar em palavras. Ele não se traduz em nenhum idioma, canção, tampouco um objeto.

Amar é abstrato, é um verbo que precisa de complemento;
Não existe uma emoção inerente ao ato de amar, pois você simplesmente sabe. Suas ações divergem quando se tratam de paixão. É diferente.
O amor pede mais que uma faísca, um presente ou uma troca de olhares...ele é as nossas atitudes diárias, nosso comportamento, e se reflete nas nossas decisões.

Ou seja?
Não precisamos dizer nada para confirmar; quando amamos, fazemos coisas inimagináveis, tiramos força da onde só existe vazio, protegemos e, acima de tudo, queremos ver a pessoa feliz, nem que seja de longe...

 Através do vidro embaçado de uma janela.
















17.06.13
Jenny Green

Fotos:

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Dama da noite



É de noite, e o vento sopra forte, balançando meus cabelos, e acelerando meu coração
Eu já conheço o frio típico da serra, que precede momentos da noite em que me sinto estranhamente especial...

Ao sair na rua, já te identifiquei.
É você, garoto, é você quem faz minha noite,
Seu perfume se mistura com o cheiro da geada que está por vir, e quando eu o sinto, é como um recado pra mim, eu já sei que você está lá,
No mesmo lugar, encostado no mesmo muro, da mesma rua estreita, que já me levou a lugares que nunca imaginei que existiam,
Mas só com você... meu sonho perdido, com minha falta de palavras pra descrever tudo que imagino,
 Tudo o que você já me fez viver, tudo o que eu sempre escondi em minha mente, todos meus sentimentos que haviam sido bloqueados por alguma razão...Você os despertou.

Ah, se você soubesse que o que eu escrevo é mais profundo do que você imagina.
Seu sorriso, menino, me deixa perdida, deixa tudo ainda mais escuro, fico sem noção do que está ao meu redor... Tento te conquistar cada vez que te vejo, mas sempre acabo desistindo, você me vence com seu jeito, me persuade através de um simples olhar
Me entrego, finalmente, aos braços que gritam meu nome, à paixão controlada, que mesmo não sendo irracional, me deixa sem chão, sem luz, sem ar.

Você rouba meu folego toda vez que te vejo, arranca minha alma, minha preciosidade, meu brilho e depois vai embora.
Diz o que eu quero ouvir, dama da noite, mas se camufla no sopro do vento, sumindo com a mesma velocidade que apareceu. E mesmo assim eu te espero, te busco todas as noites, e vou ao seu encontro.
Como uma história que não precisa de registros, vivemos esse romance preto e branco, cheio de contrastes.
Estou te esperando, mistério, já senti seu perfume...

Porque o que a noite esconde, nunca será revelado.  Essa imensidão sagrada, meu caro, só é real em nossos sonhos, que é quando estou presa a você, buscando em seu toque algo que me torne diferente..

Esse encontro nunca termina, não tem um fim preciso....é algo doentio, inexato e ao mesmo tempo saudável... mas que, de alguma forma, precisa acontecer.

Desesperadamente no silêncio

Jenny Green

domingo, 30 de junho de 2013

Pra acabar com tudo, e começar de novo.


 

E eu me odeio por não te odiar como eu devia. Mas na verdade, não me odeio. Que a realidade fique bem clara: sempre me lembrei de você, mas nunca te quis de volta. (Não do jeito que está, não do jeito que foi). Quer dizer, só as vezes. Só as vezes ir a sua casa no meio da tarde pra jogar videogame faz falta. Só as vezes dá saudade de andarmos juntos por razão nenhuma. Só as vezes falar contigo por msn faz falta, mas assim, só as vezes. Mas nunca tive chance de expressar minha saudade, pois você sempre pertenceu a outro alguém. E não julgo a pessoa, não ligo mais se tiver que vê-la, não tenho mais crises. E, por isso, escrevo textos e textos, invento histórias, crio um outro mundo para que eu possa inventar a vontade, imaginar um novo futuro com um novo você, que, obviamente, não existe.
Mas isso, eu não falo pra ninguém, não, porque não quero me expor e também porque não devo. Guardo essas palavras como que um diário, porque gostaria de dizê-las ao mundo, de gritar e esfrega-las na sua cara e na cara de todos. Tirar o disfarce de indiferença de quando eu olho pra você no meio das pessoas. Parar de negar que, mesmo depois de três longos e breves anos, te ver ainda me traz consequências emocionais, como essas. Liberta energias, quem sabe, para que as coisas melhorem.

"And after all, you’re my wonderwall"

Você já era pra estar esquecido, enterrado, morto, e eu, com ódio, deveria não querer te ver, ou te ver bem mal, sufocado. Com remorso, pensando em mim e no que perdeu por não me dar valor. Mas isso não acontece.
Você, aparentemente, está feliz, e eu continuo deixando a esperança em um canto, alimentando-a com imagens, com seu olhar que nunca, mas nunca muda. Mas o engraçado é, olho para o real de você, vejo o que você fez comigo e em como eu não deveria querer te ver.
 Nem hoje nem nunca mais. Faz tanto tempo, que se tornou estranho e comum manter esses pensamentos comigo, pensamentos que, ao mesmo tempo, mostram a realidade nua e crua e, ao contrário, como eu sempre queria que ela tivesse sido. Vejo o quão bobo, simples, às vezes patético, e até idiota, você sempre foi enquanto convivi com você. Será que perderia mesmo uma amizade por isso? Será que, se parar para analisar, ela me vale tanto assim?  Sei que, no fundo, eu queria que tivesse dado certo, que tivesse rolado algo mais, que, sei lá, você tivesse voltado atrás e pensado mais um pouco.
 Queria que nós tivéssemos tentado, dado uma chance ao que parecia improvável, e ao que, na época, pareceu forçado e arranjado. Foi bom e ruim, certo e errado. Talvez por isso tenha se evaporado em nada. Talvez eu realmente gostasse de você, com suas criancices, besteiras, e com todo mundo falando que você só é um aproveitador, interesseiro, papo mole, mimado e feio. Será que um dia ligou mesmo pra mim ou só me usou como oportunidade para chegar a alguém que você de fato se sentiu atraído? Ok, eu sou uma tola, infantil, estúpida, que ainda tenta conversar com você, chamar sua atenção, e tudo isso pra que? A preço de que? De expor minha fragilidade ainda mais?
  É bom e estranho, errado e normal, soa tão estúpido e tão prazeroso, é como despertar algo que havia adormecido- não de forma bruta, mas de leve. Estar sentada ao seu lado é como voltar a ser o que eu queria ter sido pra sempre- inocente, boba e alegre-  se você, naquela situação enroscada, não tivesse feito com que eu me sentisse um lixo, feito com que eu quisesse apagar todo meu passado e nunca sequer ter te conhecido.

E isso soa como palavras que já deveriam ter sido ditas a você faz tempo, pra acabar com esse negócio de você fazer parte do meu inconsciente de uma vez por todas. Pra acabar com essa mania de você viver minha vida no meu lugar, sendo feliz quando poderíamos estar juntos, não como casal, mas como algo que, naturalmente, seria bonito; simplesmente ter começado tudo do zero. Sim, eu estaria disposta a isso, se você ao menos desse um sinal de que ainda me quer por perto.

Pra acabar com esse boneco que eu insisto em construir, mas que não você.

E pra te esquecer logo de uma vez, finalmente, quem dera.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
22/06/13
Jenny Green
Fotos:
 
http://padmashanti.blogspot.com.br/2010/07/pratica-de-deixar-ir.html
 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Neve- neige

Neve

Há muita neve no seu país
Em todo lugar

No topo da montanha,
na copa das árvores,
no óculos de sol esquecido...

Ela cai do céu como a chuva tropical,
Trazendo à tona lembranças de um amor de verão, bem antigo
Que não foi esquecido
Por ambos
que percorrem o caminho,
olhando toda hora para trás
e tornando o passado uma base sólida para os Sonhos do futuro..




Lembranças que eles tentam com toda força esconder,
As saudades de uma paixão que, durante um tempo, foi eterna...





E com um sorriso no rosto eles andam,
cada um no seu lugar,
Ao mesmo tempo, revivendo um tempo em que tudo foi perfeito e nítido..

E exatamente no mesmo segundo,
Eles olham um floco de neve,
Uma gota de chuva,
Um óculos de sol esquecido,
E se agarram às esperanças de um dia se encontrarem novamente,
Para terminarem o que mal começaram.../

E continuam observando as mesmas coisas,
Andando em direções contrárias,
Tão absortos em seus próprios desejos que nem percebem que estão de frente um para o outro,
Espelhando-se
-

Como na primeira vez em que se viram.

ce n'est pas la fin -




















Este não é o fim...

Jenny Green
19/12/12

Fotos:









sábado, 20 de abril de 2013

Efeméride



  Ah, não,
 Eu não quero esquecer esse dia
Como assim, mexeu comigo?
Posso romantizar esse momento pra sempre
Ou posso simplesmente seguir em frente,
porque não passou de meros instantes, e eu já admirava seu sorriso, que me chamava pela simpatia.

Mas é como algo que se rompeu antes do início, um parágrafo que foi deixado em branco... uma conexão esquecida e enterrada no concreto da cidade grande,
É como uma efeméride que aconteceu por acaso em mais um dia de céu nublado

Não tenho palavras.
O que não nasceu simplesmente ficou perdido, ...
Subentendido nas estrelinhas e ignorado pela correria.

Mais uma chance perdida, e logo eu não me encontro mais neste lugar de raras surpresas...
O que poderia ter acontecido foi lançando ao vento, esperando um dia ser encontrado por alguém
Um alguém qualquer por aí, que você nem sequer imagina,
no momento em que você menos espera...

Um anônimo que irá conquistar seu coração sem fazer nada, simplesmente por estar no mesmo lugar que você.

Cada chance perdida, um sorriso desperdiçado...
E todos os pseudo- romances que tentam brotar através do cimento,
sendo abafados pelo barulho dos carros em alta velocidade.

Jenny Green
19/04/13



























terça-feira, 9 de abril de 2013

Mudanças

Naquele lugar cheio de pessoas andando apressadas de um lado para o outro, eu me sentia completamente sozinha, esquecida, perdida no mundo.


Sem saber o que fazer ou pensar para que me sentisse melhor, o que eu mais queria era que o avião afundasse na neve.. Ou que chegasse logo ao final destination, o que acontecesse primeiro.

O tempo, que sempre escorrera pelos meu dedos, agora passava como um conta-gotas de uma conversa desinteressante...

 A morte em si sempre me apavorou de um  jeito muito pessoal, mas a solidão que eu sentia naquele lugar parecia muito pior...

 Padrões havia sido abandonados e o que era dominante na minha mente estava escondido.

Minha mente tinha sido aberta, e eu agora tinha mais controle sobre o furacão emocional que me dominava sempre que havia uma brecha.
Novas experiências, um novo mundo, a independência, a solidão..
.A paixão rápida, as vontades contrárias, e minha consciência me dizendo que eu tinha que voltar atrás...porque aquele mundo
- tão popular e maravilhoso, tão pintado de rosa pelos que o veneravam-
por mais que eu o amasse,
não era o meu.














Jenny Green
22.12.2012

Fotos:




http://fotiniya.blog.ru

segunda-feira, 25 de março de 2013

Fogueira

Eu olho para a fogueira e para as faíscas que ela solta, e presto atenção no contraste do seu laranja contra o escuro da noite...O barulho do seu crepitar quase passando despercebido..
Perdida no furacão da minha mente, tento me prender a um pensamento só, decifrá-lo, fazê-lo ganhar sentido. Mas, aparentemente, isso é impossível. O resto do mundo se tornou um borrão: uma hora é ótimo viver, no segundo seguinte me sinto afogada num rio sem esperança, com uma força me puxando cada vez mais pra baixo.
O que acontece? Nenhum pensamento explica isso, a vontade de estar cercada de pessoas (na verdade, de uma só) e, ao mesmo tempo, ser tão introspectiva a ponto de me isolar de um bom momento para ficar sozinha com esses meus pensamentos..


Com todos os pensamentos girando em torno de um só, me pergunto por que é que eu tenho a mania de tornar tudo maior, melhor ou mais perigoso. O que pode ser bom se transforma em drama existencial, o êxtase que durou 10 segundos ficou gravado para sempre no inconsciente, e eu simplesmente fico lembrando disso, comparando com os acontecimentos banais do cotidiano..

 Mas por que raios eu tenho que me comparar com outras pessoas, nós não somos diferentes? Não, isso não faz sentido. Estar indecisa a maior parte do dia com decisões que pessoas racionais não perderiam seu tempo  pensando..

Viajo demais sobre um assunto só, como se estivesse explorando os vários roteiros de uma viagem, analisando o que pode dar certo e o que pode dar errado. Até demais.
Eu me sinto como a música que ninguém sabe como tocar; é difícil demais pensar com os dedos, interpretar cada nota, dinamizar cada sinal, cada movimento...Impossível de ser executada com perfeição, vou me martirizando mentalmente, fazendo com que eu me sinta cada vez pior, inconscientemente, mas sem aparentar nada, pois, por fora, sou simplista demais.
Aparentemente, uma partitura para iniciantes, mas muitos se enganam e se vão embora ao perceber as nuances e as mudanças inesperadas de compasso...



Ao ritmo do crepitar da fogueira, penso,compondo minha própria vida com notas difíceis de serem lidas, combinadas...Sou dissonante, feia aos ouvidos, cheia de altos e baixos. No entanto, são poucos que notam essas mudanças e peculiaridades.

Muitos se afastam por medo, mas é porque não conseguem ouvir as notas nas entrelinhas, a doce melodia que fica subentendida..São pessoas que não enxergam que são justamente nas minhas falhas- sim, dissonâncias- que é encontrada a perfeição.


04/03/13
Jenny Green

Fotos






segunda-feira, 11 de março de 2013

Retratos de uma cidade grande


 
 
A noite virou dia, as horas correram e eu não tive tempo de pensar...enquanto isso, minha mão direita não quis mais escrever e, quando eu percebi seu sorriso, já era tarde demais.
Somos formigas que o tempo deixou sobreviver, incapazes de nos virar sozinhos..

E a pressão do dia a dia nos mata pouco a pouco... A poluição que respiro ainda mais vazia, uma vida se sentido, sem um começo definido, só um fim.
A cidade modifica meus olhos e meu tato, e a ansiedade, o olhar..
Ando com pressa, embora meu desejo seja esperar..

Quero alcançar meus sonhos, mas as vezes tenho a impressão que tudo vai contra o que você quer. Procuramos um lazer olhando pras nuvens mas olhe, meu bem, o tempo está correndo... Nossa rotina está matando nossas expectativas; As pessoas estão mudando, vestindo uma capa de proteção cada vez mais rápido e com mais frequância...


Mais saiba que, mesmo rodeada por um mundo caótico, eu não quero te machucar. Quero apenas ser eu mesma, tem como?
Na primeira oportunidade que eu tiver, eu juro que paro tudo que me colocaram como ideal e começo realmente a viver...anos depois que nasci.
Amor, você acha isso justo? Eu desço do mundo, não quero mais saber de tanta dor.

É como um veneno incolor, só percebemos os efeitos depois..
Mas eu já estou sentindo agora, estou exposta demais, o vidro da minha janela se quebrou...Essa realidade morta invade minha'lma com a força de um raio de sol...e eu tento, juro que tentei impedir.
E quando percebi, minha vulnerabilidade já havia sido traída pelas minhas escolhas...
Não tem mais como voltar.
O certo é continuar nessa caminhada, tropeçando em pedras e levando-as nas costas...deixo cair uma de vez em quando, mas por incrível que pareça, dói deixá-la ir.



Essa cidade que carrego comigo, que vive forçadamente em mim...essa vida que vou  deixar pra trás.. está escorregando lentamente...
E o seu sorriso, aquele que me fez viver mais um pouco,
desculpe, não percebi..

Ele já se apagou.



Jenny Green
06/03/13


Fontes: