quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

Evito me olhar, logo, me afogo




 Me afogo

Me desespero

Me sinto sem ar

Sinto vertigem constante

Parece que estou afogando

Pedindo ajuda

Sendo que só eu mesma posso me salvar

Ou será que é ilusão?

Será que me sinto como realmente deveria sentir?

O que eu deveria fazer?

Eu não sei!

Estou perdida!

Aparecem tantas saídas

Não sei qual rumo tomar

A vida toda andei por todos os caminhos que me ofereceram

Mas nunca me perguntei qual eu realmente queria.

O que eu quero, me perguntam.

O que eu quero, eu me pergunto.

Pausa

PAUSA!

Estes pensamentos,

Estas possibilidades,

Eu não aguento mais

Me afogar em tantas soluções

Me sobrecarregar com comparações

Eu só posso ser eu!

E quem eu sou?


17/02/2021

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Porque parei de escrever




Não tenho escrito esses dias. Acho que perdi a inspiração, sabe o dom? Acho que a quantidade de pessoas sufocou minha inspiração. Ando apertada, escondida, encolhida onde caibo. Minha criatividade só tem espaço no vazio, no ócio, na ausência do sufoco. Na ausência de qualquer obstáculo. Talvez minha inspiração seja meio infantil. Talvez seja intuitiva. Mas acho que o maior perigo foi que eu parei de observar, estando de olhos abertos. Fiquei cega. Com uma venda nos olhos e uma expectativa errada no coração. Vendei meus olhos porque fui cegada por olhos de pedra. Olhos que me fizeram acreditar que o mundo poderia girar em uma direção só. Parei de escrever porque me deixei ser guiada para um caminho que não é o meu. Fui embebida pela ansiedade e pela maré, que acabou me deixando na praia sem nada, sem ninguém, sem trilha. Deitada, reflito, com a imaginação bloqueada por um pensamento só: como foi que cheguei aqui? Ilha do eu. Deserta: sem casa pra mim, com espaço pra quem quiser entrar.


Letícia V.
Instagram: @vidaemproesia


Foto: http://pablie.tumblr.com/post/17484362982

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Mapas



















Ela desviou

do caminho conhecido
para enfrentar estradas novas
Decidiu implantar asas
no lugar dos braços
parados
para que serviam?
todos só a diziam
que para chegar onde queria
era preciso escalar
paredes afiadas
braços fortes
se faziam necessários
mas para seu verdadeiro destino
seu verdadeiro lar
que era o mundo
as terras ainda sem mapa
os continentes por descobrir
o que ela precisaria
era mais a coragem
e a ousadia
do que pequenos passos
quebrados
por isso
voe
bailarina
voe
com suas asas
com suas armas
e com seu escudo
para encontrar seu próprio tesouro
escondido
no mapa
que
você quer seguir.



Jenny Green
Vida em Proesia