sexta-feira, 8 de junho de 2012

Trem de terça

Ela olhou pela janela
A chuva caía com força na noite de terça feira
Toda terça

O trem estava prestes a partir, e ela não sabia o que fazer.
Com dor, ela se lembrou de quando ficara do lado de fora, segurando o guarda chuva na noite,
Esperando ele chegar

Ela quer explodir e quer se conter
Ela quer que os outros decifrem seu silêncio apenas com um olhar
Ela quer o impossível

Quer ser reconhecida, mas também é aquela que quer sair quieta, pelos fundos, sem ninguém ver
Ela é o paradoxo em pessoa,
É bipolar.
É aquela que espera o trem, mesmo sabendo que ele já partiu

E nessas noites que deixam marcas na alma,
ela não quer tomar decisões.
Ela foge dos barulhos assustadores,
foge do seu próprio medo
Ela escuta seus passos batendo no chão molhado, enquanto corre,
nas poças, fugindo como sempre
Ela quer liberdade,
Um passe livre para o mundo,
mas, inconscientemente, ela ama estar presa;
Por isso nunca disse adeus a essa vida que leva
Por isso ela nunca subiu no trem e seguiu em frente:
Por causas dessas contradições, que a impulsionam e a retém





Talvez ela nunca suba
Quem sabe?
Porque enquanto a chuva continuar caindo, ela não sairá do lugar.







05/06/12
Jenny Green


Fonte das fotos:

http://thaistenorio.blogspot.com.br/2011/11/entre-um-tremuma-pena-e-uma-flore.html

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