quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ode

Mistura de estaçoes
Quando cheguei-me neste berço de hospital
Em tuas largas ruas
Teci a passarela dos meus primeiros dias
Nela encontrei grandes amores
Teus pássaros deitam em tuas árvores
Minha primeira estação
Das ruas e avenidas
Teus faróis marcam tempo
Não dormem
Cresci e cresceste também
Amadureci e te conheci melhor
O feio misturado ao belo
Espelho de todos
De amor e crueldade
Dos campos de terra e edifícios de pedras
Dualidade insistente
Tua arte em teatros pouco visitados
Envelheceste
Das árvores amontoadas parecendo brócolis'
Dando lugar para um paliteiro de edifícios
Crescente megalópole
Busco minha última estação
Com um olhar calmo da infância
Não há volta, adianta-se um futuro
Eu quero teu passado
Só para reviver em mim
A lembrança de outro lugar

Aleph Borges
22-06-2011

domingo, 5 de junho de 2011

Só por um dia

Só por um dia...me deixe feliz
 por um dia...me faça sentir melhor
 por um dia...cubra a necessidade de você que há em mim
 por um dia...cubra a falta que você faz na minha vida
Talvez você não saiba, mas eu sinto
por um dia, saiba que o que eu faço, nao é porque eu gosto
mas porque te amo
Se você sabe, e não quer saber
a única coisa que eu teria que fazer seria te esquecer
mas se há uma única coisa que eu não quero neste mundo,
é isso
Pra que esquecer?
É mais difícil do que sofrer
é melhor ir logo e enfrentar
sem medo de levar
é bom que eu esteja conseguindo forças...
só por um dia.


25/05/08
Jenny Green

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Um sonho

E tudo aquilo não parecia passar de um sonho.


Naquela floresta vazia, só havia nos dois e o barulho do vento nas arvores...

Eu contemplava seu rosto perfeito, de frente pra ele, e ele me olhava com a mesma expressão de desejo. Encostada naquela pedra sabia que ele poderia me matar a qualquer instante, mas eu não sentia medo. Sabia que qualquer movimento meu, poderia provocá-lo e eu não sabia do que ele era capaz. Ele me deu a oportunidade de fugir, mas por mais que a morte chegasse dali a pouco, eu queria poder olhar sua pele de diamante, e seus olhos escuros antes de partir. Mesmo que ele me matasse, eu não o culparia por nada ...e ainda o amaria por toda eternidade.

Mais eu sabia que ele não seria capaz de fazer aquilo comigo... E se ele fizesse, eu não seria capaz de reagir, mesmo se pudesse. Ele estava com os braços encostados na pedra e eu estava de frente pra ele, sem ação nem reação. Era impossível que existisse alguma coisa que fosse mais bela do que ele, nenhuma criatura na terra se assemelha à tamanha perfeição, (...)

Aquele ser imortal me olhava, prendendo minha atenção com os olhos escuros,como dois rubis, que tinham contraste com a palidez excessiva de seu rosto e o brilho do seu peito que cintilava ao receber a luz do sol. Eu sabia que ele estava usando de sua beleza para me fazer uma presa fácil.Sabia que, com apenas um toque, poderia quebrar todos os meus ossos. Sabia que, após beber todo o meu sangue, aquela criatura se esqueceria de mim e deixaria meu corpo largado ali, no meio da floresta. Mas mesmo assim não consegui desviar o olhar dele, havia um imã, uma força magnética, que me atraía para dentro daqueles olhos negros, duros e sedentos. O lábio dele se abria a cada respiração minha e eu já podia ouvir o barulho de seus dentes brilhantes trincando. O medo do inesperado me fez contar impacientemente os segundos, pois de alguma forma, eu sabia que a morte era certa e que ele me mataria. E mesmo assim, eu o amava. A cada segundo, essa certeza ia aumentando, eu o amava mais que tudo, e minha maior vontade naquele instante era tê-lo em meus braços para o resto não da vida, mas da eternidade. Eu o amava tanto, que poderia, sem dúvida, perdoá-lo por tirar a minha vida. Encantada pela sua beleza, não percebi quando ele se debruçou para encravar seus dentes afiados no meu pescoço.

12/09/09
Jenny Green.