domingo, 29 de janeiro de 2012

Apenas palavras


Lendo aquela carta de tanto tempo atrás, ela desejou que tudo voltasse a ser o que um dia foi, mesmo sem ter certeza se realmente valia a pena. Ela não vê mais o brilho que os olhos dele tinham, e nem aquela confiança de um laço eterno.
Ela tentou não chorar, mas seu corpo todo foi dominado por aquela emoção latente, que a punha pra baixo de um jeito bem peculiar; Ela havia perdido alguém que ,antes, ela nem sequer notava, não ligava, mas que com certeza, estaria lá para levantá-la quando caísse e a arrancasse de suas constantes crises existenciais.
Mesmo que o passado tivesse deixado marcas inesquecíveis em ambas as memórias e sentimentos, ela tentou. Tentou recuperar o amor evaporado, o tempo perdido e a certeza inabalável de que ainda tinha alguém com quem contar; Um amigo, um irmão.
Mesmo sabendo que as coisas tinham mudado, que ele já não se sentia bem perto dela, ela resolveu arriscar. Uma chance. Um cruzar de dedos e apertar os olhos pedindo a Deus que tudo dê certo.
Uma carta , quem sabe, acabaria com esse abismo crescente. Ou uma mensagem de texto, celular. Não, melhor não.
Encontros são mais seguros e reais, mesmo trazendo consigo doses de incerteza e esperança.
Ela o viu. Sentiu aquele frio, aquela velha apreensão que nunca a havia abandonado desde que passara a conversar com ele.
O olhar dele estava perdido, e as mãos, moles e frias. Ao darem o costumeiro abraço de cumprimento, ela novamente chorou; Mas que droga ! É, ela o havia perdido. Não o seu físico, mas sua alma. O que, antes, ela havia deixado de canto, só pegava quando queria, fazia falta. Havia deixado um espaço grande demais para ser preenchido...( Aquela roupa velha, usada, que ela tinha vergonha de vestir, e as vezes até esquecia, havia sido roubada por outras pessoas - que davam a ela seu verdaeiro valor. Embora, o mais provável é que essa roupa simplesmente tenha sumido por conta própria, deixando rastros dolorosos, mas não pistas.)
Naquele abraço, faltava espaço, espaço para coisas não ditas e outras que simplesmente foram ignoradas. Tinham tudo, e não tinham nada. Nada.
O Companherismo, a amizade, a confiança e o respeito haviam sido levados pelo tempo.
O baque ali era físico, e ela sentiu isso mjais do que qualquer outra coisa. Suas almas haviam se tornado foscas e fúteis.
Ela se perguntou mil vezes, enquanto andavam, se devia contar o que sentia e o que pensava sobre essa bateria descarregada que a relação dos dois havia se tornado.
Uma onda fraca e gelada.


De novo : " Será que vale a pena arriscar o presente pelo passado ?" Ela pensou. " Será que isso vai trazer tudo o que tínhamos de volta?" . Talvez ele simplesmente interprete tudo errado; Afinal, toda palavra tem um significado oculto aos ouvidos, que só a mente inquieta faz questão de revelar.

Que tal uma carta ? A opção que ela havia descartado antes, agora parecia uma boa opção.
Quem sabe, o melhor caminho seja derramar algumas frases vem elaboradas em um pedaço de papel e entregar a ele; Sem um motivo especial, nem um sentido realmente bom. Apenas palavras. Secas, diretas, e expressivas. Sem dar a ele a chance de imaginar possíveis "meanings" para cada substantivo.

Não sei bem o que ela estava pensando, ou o que sentiu quando decidiu escrever aquela carta tão...Tão sei lá. Não, ela definitivamente não buscava elogios pela sua forma de construir um texto ou por qualquer outra coisa que fosse merecedora de elogios. Talvez ela só estivesse inspirada, com vontade de escrever , e de botar pra fora o que, há tempos, vinha guardando.

Sabia que nada iria fazer aquele moinho girar mais rápido. Não ia mudar nada, ela sabia, pois o passado não iria se moldar ao " agora".
Mas, de algum jeito, apesar de tudo, ela achou que valia a pena.
E não custava nada tentar.

27-01-2012
Jenny Green



terça-feira, 24 de janeiro de 2012

When you're gone

Um dia, a dor se transforma em saudade.
E depois de muitos dias, a saudade se transforma em alegria de poder ter compartilhado momentos da vida com alguém como você.


Jenny Green.
24-01-2012

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

My Immortal

Eu não acreditava que estava ali.
A multidão gritava cada vez mais e , por mais que estivesse acostumada com aquela sensação, o nervosismo ainda me fez tremer. Na hora que meus dedos da mão direita tocaram as teclas do piano, os gritos ficaram ainda mais estridentes; pensei que ia falhar, errar, esquecer...Mas era só mais uma música. Finalmente a mão esquerda entrou em ação e junto com ela, minha voz.
Meu nervosismo era tanto, que fiquei com medo de esquecer a letra daquela musica que eu vinha cantando há tantos anos...E que não foi cortada, ainda, do setlist por ser uma das mais  lindas e aclamadas músicas da banda.
Respirei fundo, fechei os olhos e tentei me concentrar apenas na melodia, enquanto cantava. Cada nota tinha o som de uma lágrima caindo, gosto de sangue e o ritmo das batidas de um coração. Como quase sempre acontece nos shows, me lembrei de quando havia escrito a música: a letra, a melodia, e a sua história. Por que havia escrito? Não é algo que eu goste de contar para alguém durante a semana e nem algo que se possa conversar em um jantar com um amigo.
Sempre a achei pessoal demais, mas é assim que tem que ser as canções, não ? Os produtores torceram os lábios quando viram (e ouviram), mas decidiram, por fim, arriscar.
E foi que foi, a música é um sucesso.
Lá pro final, o som ficou mais pesado : Sou arrancada dos meus pensamentos quando a banda entra como acompanhamento. Os batuques da bateria me arrepiavam e o solo da guitarra mexia de alguma forma com a minha cabeça, me deixando em um leve êxtase;  Tenho vontade de chorar e gritar ao mesmo tempo e, automaticamente, passo essa emoção incômoda para a música, o que deixou o público ainda mais eufórico.
O palco foi tomado por uma atmosfera sombria e agitada quando as últimas notas foram tocadas, e eu deixei que eles cantassem sozinhos as últimas palavras.
Eles literalmente vibraram.

Me levantei, emocionada, para agradecer. Me curvei diante deles ; Todos, meus ídolos incansáveis. Quando dei por mim, estava chorando. Achei ao mesmo tempo lindo e estranho, nunca havia chorado assim, ao vivo.
O choro não cessava: decidi enxugar as lágrimas com o dorso da mão, e foi então que eu vi... Era sangue.

12-01-2012
Jenny Green

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Casa velha

Você é como uma casa velha.
Desabitada, abandonada, esquecida.
Você, sem querer, está no meu coração.
Ou na minha memória, se houver aí alguma diferença.
Infelizmente é inesquecível. Adoraria por fogo nessa casa que você mesmo construiu, pegar as cinzas e jogar ao vento, mas não posso...Tenho medo de que, se eu acabar com essa casa, eu acabe com um alicerce que mantém minha vida... Estável. Tenho medo de, ao acabar com essa base traiçoeira, me encontrar com um vazio.
Um vazio que você fez questão de deixar ao ir embora. Ele dói cada vez que te vejo.
Mesmo depois de tanto tempo, meus sentimentos conturbados ainda tentam pintar a casa, mobiliá-la com seus pertences, deixá-la confortável caso um dia você pense em voltar.
Ah, tá, até parece que você lembra de alguma coisa; não é do seu feitio se lembrar de coisas desse tipo ou se desculpar por elas.
Eu só queria que você soubesse que essa casa ocupa, atualmente, um espaço que não é mais seu. Todavia, ninguém mais consegue entrar nessa casa; As portas se fecham automaticamente quando alguém chega perto. Ela deve ter medo de ser destruída, abandonada, igual você fez.
Cada vez que eu lembro de você, algo nessa casa desmorona, a deixando ainda mais difícil de destruí-la, e mais difícil de algum outro alguém tentar entrar. Um caos, um caos...
Porém, hoje me deparei com uma luz que nunca tinha reparado; Ela SEMPRE esteve lá.


E sempre vai estar, independente do estado da casa e de quem a construiu.
Ela, de alguma forma, conseguiu penetrar nas paredes dessa casa, e a destruiu por completo, sem deixar rastros.
O que mais me surpreendeu, é que eu não fiquei cara a cara nem com o vazio, nem com o medo, nem com a solidão.
A cidade onde essa casa morava, foi totalmente limpa e restaurada, e saturada com um tipo de amor incrível, que não constrói alicerces, pois sua presença é constante, incansável e radiante.
Não consigo entender nem como nem por que ignorei essa luz por tanto tempo. Sei que agora, é essa luz que vai escolher quem vai entrar nessa cidade e quem não merece ficar nela.
Eu sei que algumas pessoas vão teimar sair da cidade, e vão querer construir lares autodestrutivos e masoquistas, e isso vai desequilibrar toda a estrutura.
Não vai ser uma tarefa fácil.
Mas ,eu tenho a certeza de que vai  me curar por completo.

Jenny Green.
08-01-2012

Eu preciso de algum abrigo
Para minha própria proteção, baby.
Estar comigo mesma,
Claridade, paz, serenidade.

Espero que você saiba
Que isso não tem nada a ver com você
Isso é pessoal, eu mesma e eu
Nós sempre temos algo a ajeitar

E eu sentirei sua falta
Como uma criança sente de seu cobertor;
Mas eu tenho que seguir em frente com minha vida.


Fergie – Big girls don’t cry