Lendo aquela carta de tanto tempo atrás, ela desejou que tudo voltasse a ser o que um dia foi, mesmo sem ter certeza se realmente valia a pena. Ela não vê mais o brilho que os olhos dele tinham, e nem aquela confiança de um laço eterno.
Ela tentou não chorar, mas seu corpo todo foi dominado por aquela emoção latente, que a punha pra baixo de um jeito bem peculiar; Ela havia perdido alguém que ,antes, ela nem sequer notava, não ligava, mas que com certeza, estaria lá para levantá-la quando caísse e a arrancasse de suas constantes crises existenciais.
Mesmo que o passado tivesse deixado marcas inesquecíveis em ambas as memórias e sentimentos, ela tentou. Tentou recuperar o amor evaporado, o tempo perdido e a certeza inabalável de que ainda tinha alguém com quem contar; Um amigo, um irmão.
Mesmo sabendo que as coisas tinham mudado, que ele já não se sentia bem perto dela, ela resolveu arriscar. Uma chance. Um cruzar de dedos e apertar os olhos pedindo a Deus que tudo dê certo.
Uma carta , quem sabe, acabaria com esse abismo crescente. Ou uma mensagem de texto, celular. Não, melhor não.
Encontros são mais seguros e reais, mesmo trazendo consigo doses de incerteza e esperança.Ela o viu. Sentiu aquele frio, aquela velha apreensão que nunca a havia abandonado desde que passara a conversar com ele.
O olhar dele estava perdido, e as mãos, moles e frias. Ao darem o costumeiro abraço de cumprimento, ela novamente chorou; Mas que droga ! É, ela o havia perdido. Não o seu físico, mas sua alma. O que, antes, ela havia deixado de canto, só pegava quando queria, fazia falta. Havia deixado um espaço grande demais para ser preenchido...( Aquela roupa velha, usada, que ela tinha vergonha de vestir, e as vezes até esquecia, havia sido roubada por outras pessoas - que davam a ela seu verdaeiro valor. Embora, o mais provável é que essa roupa simplesmente tenha sumido por conta própria, deixando rastros dolorosos, mas não pistas.)
Naquele abraço, faltava espaço, espaço para coisas não ditas e outras que simplesmente foram ignoradas. Tinham tudo, e não tinham nada. Nada.
O Companherismo, a amizade, a confiança e o respeito haviam sido levados pelo tempo.
O baque ali era físico, e ela sentiu isso mjais do que qualquer outra coisa. Suas almas haviam se tornado foscas e fúteis.
Ela se perguntou mil vezes, enquanto andavam, se devia contar o que sentia e o que pensava sobre essa bateria descarregada que a relação dos dois havia se tornado.
Uma onda fraca e gelada.
De novo : " Será que vale a pena arriscar o presente pelo passado ?" Ela pensou. " Será que isso vai trazer tudo o que tínhamos de volta?" . Talvez ele simplesmente interprete tudo errado; Afinal, toda palavra tem um significado oculto aos ouvidos, que só a mente inquieta faz questão de revelar.
Que tal uma carta ? A opção que ela havia descartado antes, agora parecia uma boa opção.
Quem sabe, o melhor caminho seja derramar algumas frases vem elaboradas em um pedaço de papel e entregar a ele; Sem um motivo especial, nem um sentido realmente bom. Apenas palavras. Secas, diretas, e expressivas. Sem dar a ele a chance de imaginar possíveis "meanings" para cada substantivo.
Não sei bem o que ela estava pensando, ou o que sentiu quando decidiu escrever aquela carta tão...Tão sei lá. Não, ela definitivamente não buscava elogios pela sua forma de construir um texto ou por qualquer outra coisa que fosse merecedora de elogios. Talvez ela só estivesse inspirada, com vontade de escrever , e de botar pra fora o que, há tempos, vinha guardando.
Sabia que nada iria fazer aquele moinho girar mais rápido. Não ia mudar nada, ela sabia, pois o passado não iria se moldar ao " agora".
Mas, de algum jeito, apesar de tudo, ela achou que valia a pena.
E não custava nada tentar.
27-01-2012





