segunda-feira, 18 de agosto de 2014

Talvez
















Eu fiquei com a parte mais difícil. Depois que você foi embora, a minha tarefa é recolher pedaços de coração partido espalhados pelo chão. Ou qualquer resquício do orgulho que você tenha deixado para trás. Os presentes que você me deu...suas roupas...começaram com simples lembranças, e foram evoluindo...de algumas noites especiais, abraços apertados e, logo depois, uma alma que se entrelaçou à sua.

Pequenos objetos que você ia deixando aqui em casa, o tempo calculado que passávamos juntos no final de semana, as comemorações de família, onde todos perguntavam (e perguntam) por ti foram os primeiros indícios de que eu não ia te esquecer fácil. E nem deixar de olhar o celular procurando por uma mensagem tua, nem que seja um simples bom dia, que nada quer dizer.

Isso já aconteceu antes e sei que meu coração é tolo o suficiente pra deixar tudo acontecer de novo.  A dor, o medo, a insegurança- Depois que você fechou a porta do apartamento, dizendo que aquela era a última vez, que não dava mais pra continuar, eles me atormentam como demônios em um pesadelo interminável.

Confesso que, no início, não tinha noção de nada, nenhuma ideia sobre nós, e o medo de continuar era tão grande quanto o de acabar. Eu pensei que seria fácil o caminho, que só nos traria sorrisos...Afinal, a amizade que tínhamos sempre foi especial, lembra? Esquecer nunca foi fácil pra mim, só que eu pensei que eu nunca passaria por isso com você.

Meu refúgio, meu ombro nas noites desoladas, meu bom dia carinhoso, meu beijo especial de boa noite, o que aconteceu com a gente?

Aconteceu o que a gente (eu, principalmente) temia. Chegou a um ponto nossos desentendimentos, beijos e abraços que não dava mais pra voltar atrás. Ou a gente mergulhava de cabeça no desconhecido para salvar o que a gente tinha ou admitíamos que tínhamos chegado ao fim. Eu não confiava no nosso futuro, andávamos a passos vacilantes no presente, em uma corda bamba que ignorava o passado. E você não queria mais, tinha desistido de tentar fazer com que eu fosse sua, apenas, e a única mulher para fazer feliz.

É difícil saber onde te colocar nessa história, porque o que mais me assombra nas minhas noites sem sono é o quanto poderíamos ter sido felizes, aquela certeza que só vem quando eu sei que perdi a guerra. A pior batalha, de horas e horas jogadas fora...pensei que, por um instante, poderia nos salvar, só que não deu mais. E quando eu olho pra trás, a cama feita, a casa arrumada, o sol nascendo como se aquele fosse um dia normal...bate aquela culpa, a verdade de que a gente tem que tirar do passado alguma lição...não, eu me recuso a pensar nisso. Não vou deixar essa racionalidade me matar.

Estou deixando esta carta na sua porta porque a minha casa está vazia. Eu sei que tenho toda a vida pra começar de novo e tentar me encaixar em supostos planos divinos, mas eu não quero sem você. É ruim demais ver você em todos os móveis e objetos e você não estar lá.

Queria que você estivesse do meu lado, nem que fosse em pensamento, só pra que sua alegria me iluminasse nas piores horas.

Se, quando lembrar da nossa melhor noite, e eu sei que lembra, você ainda sorrir, saiba que, apesar desse meu jeito, eu só quis te ver feliz, te fazer um homem que fosse o meu. Quem sabe, assim, a gente não se dá uma chance, e faz tudo de novo, só que de outro jeito.

Daquele jeito nosso todo ao contrário e maravilhoso, que fez a gente diferente de todos os casais do mundo.
Porque você me prometeu que ia ser pra sempre e eu, como uma menina, acreditei. Por favor, não me deixe pra trás.
















Jenny Green

12-08-14

Fotos:

http://tialia.vn/bai-ca-ay-gio-anh-hat-cho-ai/
http://juliafighter.blog.ru/



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