sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Os opostos se distraem, e os dispostos também


Where have the times gone, baby, it’s all wrong, 
where are the plans we made for two?

Payphone- Maroon 5



Jamais quis te transformar em poesia, mas fiquei marcada pelo calor do teu abraço. E, por mais que faça tempo, as lembranças e a música me invadem como se tivesse sido ontem. Pena que, quando percebi isso, já era tarde e a mágica tinha desaparecido como uma estrela cadente na escuridão.

Falar com você, às vezes, tanto faz. Não traz nada a não ser uma emoção oca, sem carga e sem atração; porque viver fingindo que você não existe, ou nunca existiu, não dá. Talvez a solução seja te aniquilar, os esforços são em vão e, às vezes, dá vontade de voltar atrás e tomar outra atitude. Sim, eu teria feito tudo diferente na nossa pequena eternidade, tão pequena que pode ser contada numa crônica.  É uma linha que continua, mas sem letras em cima, algo sem um propósito. Quase sem história, que está ali só por estar, simplesmente porque nunca saiu...será que eu quis que você saísse?

Você colocou os três pontos no final, e não apagou quando decidiu não ser mais um personagem do meu livro. Todos esperam uma continuação, aquela que nós sabemos que nunca vai existir. É a frase escondida entre parênteses- que finge não estar ali, mas tem a capacidade de mudar o sentido do texto.

E não adianta eu tentar te colocar em um patamar especial na minha mente- o que foi, foi. Já aconteceu, e talvez o único motivo pelo qual eu me lembre daquela tarde chuvosa é porque não dá pra criar uma nova vida onde este momento não tenha existido. Sua existência pautou parte do que eu sou e, agora, você está acumulando pó no fundo da estante. Já está na hora de te deixar passar?

Te ver novamente gerou em mim uma nova atitude, uma vontade de seguir em frente. Só agora, depois de muito tempo, noites sem sono, lágrimas sem sentido e um amor que foi esmagado (forçado) pelas circunstâncias, é que eu criei forças pra me levantar e assumir pra mim mesma que não daria certo- aqueles momentos de alegria não iriam pra frente, mesmo com muito esforço.

E, realmente, ao olhar meu reflexo no espelho, eu ainda te vejo em meus olhos, mas...você está sumindo. O que era concreto está se diluindo nas sombras do “eu não te tenho mais por perto, não tenho a intenção e não tem porque tentar”.

Eu realmente não consigo imaginar uma vida sem que você tivesse feito parte dela. E acredito que você também não. Mas, às vezes, o que achamos que era duradouro, se esvai de-repente de seu significado, até sua imagem não causar mais nenhuma reação, nem um sorriso torto de saudade nem agonia. Só mesmo aquele aperto de te deixar ir, mesmo com você já indo, já estando na metade de outro caminho, bem longe do meu.

Nos chocamos para ver que não nos pertencemos. Somos feitos de escolhas diferentes, opostas. Eu até te diria: “estou aqui”, mas eu simplesmente virei o retrato com a sua foto.

Aquela música daquela banda que você me apresentou, infelizmente, não tem nada a ver com a nossa vida, apesar de ter combinado com a nossa pequena história- Tão rápida...leitura agradável. Mas é hora de fechar o livro.


Jenny Green
08/06/14

Imagens :www.potencialgestante.com.br
 

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