Perdida no furacão da minha mente, tento me prender a um pensamento só, decifrá-lo, fazê-lo ganhar sentido. Mas, aparentemente, isso é impossível. O resto do mundo se tornou um borrão: uma hora é ótimo viver, no segundo seguinte me sinto afogada num rio sem esperança, com uma força me puxando cada vez mais pra baixo.
O que acontece? Nenhum pensamento explica isso, a vontade de estar cercada de pessoas (na verdade, de uma só) e, ao mesmo tempo, ser tão introspectiva a ponto de me isolar de um bom momento para ficar sozinha com esses meus pensamentos..
Com todos os pensamentos girando em torno de um só, me pergunto por que é que eu tenho a mania de tornar tudo maior, melhor ou mais perigoso. O que pode ser bom se transforma em drama existencial, o êxtase que durou 10 segundos ficou gravado para sempre no inconsciente, e eu simplesmente fico lembrando disso, comparando com os acontecimentos banais do cotidiano..
Mas por que raios eu tenho que me comparar com outras pessoas, nós não somos diferentes? Não, isso não faz sentido. Estar indecisa a maior parte do dia com decisões que pessoas racionais não perderiam seu tempo pensando..
Viajo demais sobre um assunto só, como se estivesse explorando os vários roteiros de uma viagem, analisando o que pode dar certo e o que pode dar errado. Até demais.Eu me sinto como a música que ninguém sabe como tocar; é difícil demais pensar com os dedos, interpretar cada nota, dinamizar cada sinal, cada movimento...Impossível de ser executada com perfeição, vou me martirizando mentalmente, fazendo com que eu me sinta cada vez pior, inconscientemente, mas sem aparentar nada, pois, por fora, sou simplista demais.
Aparentemente, uma partitura para iniciantes, mas muitos se enganam e se vão embora ao perceber as nuances e as mudanças inesperadas de compasso...

Ao ritmo do crepitar da fogueira, penso,compondo minha própria vida com notas difíceis de serem lidas, combinadas...Sou dissonante, feia aos ouvidos, cheia de altos e baixos. No entanto, são poucos que notam essas mudanças e peculiaridades.
Muitos se afastam por medo, mas é porque não conseguem ouvir as notas nas entrelinhas, a doce melodia que fica subentendida..São pessoas que não enxergam que são justamente nas minhas falhas- sim, dissonâncias- que é encontrada a perfeição.
04/03/13
Jenny Green
Fotos

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