De uma família perturbada
Em uma casa solitária no topo do morro verde
Estou acostumado a trabalhar sem nada merecer
A apagar qualquer sorriso dos meus lábios com cera de vela
A herdar sem pertencer
Da ceia me resta a sobra
Da cama, a beirada
Do calor, a lareira fria
E do amor, o abraço dos ventos congelantes
Abandonaria minha alma (e consciência) para que o amor inconveniente pudesse ser correspondido,
E consumado, como a palha quando lambida pelo fogo
Porque nossas almas foram feitas com o mesmo material
E você sabia, e sentia tudo como eu
Mas fugia de si mesma e queria desesperadamente se enganar....Por baixo dos seus lençóis chiques e de seu orgulho irremediável
Se desviando de um destino que o nosso passado preparou, e acerca do qual uma história será um dia escrita
Queria ter a possibilidade de tentar uma vingança que, alimentada pelo ódio ao longo dos anos, não fui capaz de realizar
Porque ainda existe ternura na minha pele ferida e nos meus olhos escuros
Tentando se agarrar a única certeza que sempre tive,
E que se dissolveu em um enredo sem saída,
Antes que chegue a primavera, sinto tua presença,
Mesmo depois de tanto tempo, ainda te vejo por aqui, sorrindo e lembrando de quando éramos crianças
O fantasma de um sentimento escondido que só fez aumentar enquanto quis esquecer, e que perturba meus dias de tenra paz
Na madrugada, eu abro a janela do quarto que era seu,
O galho que bate sem parar na janela denuncia tua presença póstuma
Morro um pouco mais a cada dia nesta casa esquecida pelo tempo
E escuto o vento sussurrar teu nome por entre as árvores,
Enquanto minha alma enlouquecida por ti grita,
Catherine, Catherine, Catherine...
Jenny Green
03/01/15
Imagens:
http://passadovivo.tumblr.com
http://ofantasticomundodaarte.blogspot.com


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