Sinto que fui me desfazendo com o tempo. Nunca dei um tempo pra mim mesma, um tempo para o meu coração parar e respirar tranquilo. Ele sempre esteve preso a alguém, mesmo esse alguém estando no passado e não nutrindo nenhum sentimento por ele.Desde que me apaixonei pela primeira vez, nunca mais dei uma folga pro meu coração. Tentava reconciliá-lo com a mente, estabelecendo uma lógica, uma linha do tempo, para prever quando é que eu me apaixonaria de novo.
Não é preciso dizer que não funcionou por muito tempo. Na verdade, acho que nem chegou a funcionar direito.
Acho que sempre fui bem apegada ao passado, os momentos, as fotos, alegrias, e principalmente às pessoas que passaram pela minha vida e deixaram marcas. Simplesmente deixaram marcas e se foram.
Não, eu nunca acreditei que essas pessoas ficariam para sempre na minha vida, mas pensei que elas olhariam para trás e, mesmo sem querer, se lembrariam de mim.
Seja de um jeito bom, ou ruim, mas lembrariam.
Bem, era assim que eu pensava, até que , com o tempo, fui percebendo que eu não queria apenas que a pessoa se lembrasse de mim. Eu queria que ela ficasse comigo. Não importa o motivo. Eu taxei essa pessoa como minha, como ela pode ir embora sem ao menos dizer adeus ?
A cada pessoa que esteve comigo em algum momento da minha vida, eu lhe dei alguma coisa. Não necessariamente um material, que ela pudesse sentir entre os dedos, mas sim, quem sabe, um sentimento reservado; uma confissão pessoal;um carinho diferente; uma atenção especial...Uma parte do caminho que estou percorrendo aqui na terra.
Acabo dando pedaços de mim, pedaços essenciais do meu ser. Divido minha alma, a fim de multiplicá-la...Passar essa parte de mim para um outro alguém que eu considero especial.
Só que também fui percebendo, com os dias, meses, e até anos, que nunca mais tive essas partes de volta. Simplismente fui esvaziando meu ser em função de conquistar um outro alguém, ou na intenção de manter esse alguém comigo, não me esquecer.
Talvez seja por isso que eu sinta, quando olho para trás, que eu não fui a protagonista do meu passado; Não fui, e nem sou a personagem principal da minha história. Eu fui perdendo o papel, até me tornar uma mera personagem secundária.
Dispensável.
Acho que eu simplesmente fui me moldando às circunstâncias que me foram impostas, como um líquido se adepta ao seu recipiente.Me deixei levar por momentos atraentes e emoções traiçoeiras, apenas por achar que estava descobrindo quem eu era e o que eu realmente sentia, quando , na verdade, eu estava me perdendo cada vez mais em um tempo sem volta.Sem volta.
Eu, sempre me prendendo às pessoas erradas e dando até o que eu não tinha para mantê-las ao meu lado, e ficando com cada vez menos, perdendo a importancia para mim em função do meu egoísmo e ambição, até me tornar um quase fantoche.
No entanto, existem várias pessoas como eu, que querem sem encontrar, mas acabam se perdendo em coisas efêmeras, ignorando seu verdadeiro valor.
Eu só posso dizer que tentarei mudar, mas nada acontece assim, de um dia pro outro. Creio que nunca terei de volta o que, originalmente, foi meu, mas creio que posso me recuperar de outras formas, sem precisar pedir de volta os " presentes" que dei àqueles que nunca mereceram.
Sei que posso ter de volta a solidez dos meus passos e a certeza de que sou a dona da minha história. Sei que posso deixar pra trás todas as pessoas, lembranças, e momentos que retiraram a minha energia.
Viver o 'agora' é um ótimo começo; e não lamentar nem as lágrimas e nem o que um dia me fez sorrir.
Não existe Ctrl+Z no tempo; O ontem não pode ser consertado.
No entanto, sempre podemos recomeçar o jogo da vida, com personagens diferentes, lugares diferentes.
E essa oportunidade não pode ser arrancada por nada nem ninguém, pois ela é um presente
de Deus.
Jenny Green
27-12-2011

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