quarta-feira, 22 de junho de 2011

Ode

Mistura de estaçoes
Quando cheguei-me neste berço de hospital
Em tuas largas ruas
Teci a passarela dos meus primeiros dias
Nela encontrei grandes amores
Teus pássaros deitam em tuas árvores
Minha primeira estação
Das ruas e avenidas
Teus faróis marcam tempo
Não dormem
Cresci e cresceste também
Amadureci e te conheci melhor
O feio misturado ao belo
Espelho de todos
De amor e crueldade
Dos campos de terra e edifícios de pedras
Dualidade insistente
Tua arte em teatros pouco visitados
Envelheceste
Das árvores amontoadas parecendo brócolis'
Dando lugar para um paliteiro de edifícios
Crescente megalópole
Busco minha última estação
Com um olhar calmo da infância
Não há volta, adianta-se um futuro
Eu quero teu passado
Só para reviver em mim
A lembrança de outro lugar

Aleph Borges
22-06-2011

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